Fisiologia

Cirurgia de catarata ganha novas lentes e ajuda a reduzir a dependência de óculos

Avanços em exames, cálculos personalizados e implantes multifocais ampliam a autonomia visual a partir dos 40 anos e podem facilitar tarefas do dia a dia, como ler, dirigir e usar o celular.

Por Redação Brazil Health , 19/07/2026

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Cirurgia de catarata ganha novas lentes e ajuda a reduzir a dependência de óculos

Envelhecer deixou de ser sinônimo de reduzir o ritmo. Com mais pessoas ativas aos 40, 50 e 60 anos, enxergar bem passou a ter peso direto na autonomia, na rotina de trabalho, nas viagens e nas atividades físicas. Para o oftalmologista Roberto Anbar, a visão nítida é parte central desse cenário: “Enxergar bem deixa de ser apenas uma questão de conforto e passa a ser um elemento fundamental de qualidade de vida e independência”, afirma.

Os primeiros sinais, na maioria dos casos, aparecem por volta dos 40 anos. A leitura no celular começa a exigir mais esforço, o cardápio parece pequeno demais e o hábito de afastar objetos para focar melhor vira rotina. Esse quadro é chamado de presbiopia, ou “vista cansada”, e ocorre pela perda gradual da capacidade de foco do cristalino, a lente natural do olho.

Com o avanço da idade, a tendência é que a dependência dos óculos aumente. Depois dos 50 e, principalmente, após os 60 anos, outro problema costuma entrar no radar: a catarata. A visão fica mais embaçada, as cores parecem menos vivas e situações como dirigir à noite ou perceber detalhes podem se tornar mais difíceis.

Como a cirurgia mudou

A cirurgia de catarata passou por uma transformação nos últimos anos. O procedimento, que antes era visto apenas como a retirada da opacidade do cristalino, hoje também pode ser planejado para melhorar a qualidade visual e reduzir a necessidade de óculos, dependendo do caso.

Durante a cirurgia, o cristalino envelhecido é substituído por uma lente intraocular. Anbar explica que a escolha desse implante pode ser personalizada: “Essa lente é escolhida de acordo com o perfil e as necessidades de cada paciente”, destaca.

Entre as opções, as lentes intraoculares multifocais e trifocais se tornaram um dos principais avanços. Elas buscam oferecer bom desempenho para visão de longe, intermediária e de perto, o que pode facilitar atividades como ler, usar o celular, trabalhar no computador e dirigir, reduzindo significativamente a dependência dos óculos.

A modernização também envolve a etapa anterior à cirurgia. Equipamentos de diagnóstico mais precisos, cálculos individualizados e técnicas menos invasivas ajudaram a tornar o procedimento mais previsível e com recuperação mais rápida. Ainda assim, os especialistas reforçam que a indicação e a escolha da lente ideal dependem de avaliação oftalmológica detalhada, considerando expectativas e estilo de vida.

Na prática, pequenas tarefas do cotidiano ganham impacto quando a visão deixa de ser um obstáculo. “Não precisar procurar os óculos para pequenas tarefas pode parecer um detalhe, mas faz diferença em viagens, atividades físicas, encontros sociais e momentos em família”, afirma o oftalmologista.

Com a população vivendo mais, a discussão sobre longevidade tende a se concentrar cada vez mais em qualidade de vida. Nesse contexto, a evolução das cirurgias oculares e das lentes intraoculares vem redefinindo a forma como muitas pessoas encaram o envelhecimento: com mais liberdade, conforto e independência.