Fisiologia

Ceratocone: doença na córnea pode ser confundida com aumento do grau

Visão embaçada, mudanças frequentes nos óculos e dificuldade à noite podem indicar o problema, que tende a evoluir mais rápido em adolescentes e pode piorar com o hábito de coçar os olhos.

Por Redação Brazil Health , 03/06/2026

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Ceratocone: doença na córnea pode ser confundida com aumento do grau

Alterações constantes no grau dos óculos, visão borrada e dificuldade para enxergar à noite nem sempre significam apenas necessidade de trocar a lente. Esses sinais podem indicar ceratocone, doença que afeta a córnea, a parte transparente na frente do olho, e pode comprometer a qualidade da visão se não for identificada cedo.

A condição tem sido tema de ações de conscientização como o Junho Violeta, que busca ampliar o conhecimento do público e estimular o diagnóstico precoce. O ceratocone costuma aparecer na adolescência ou no início da vida adulta, fase em que a pessoa pode passar anos ajustando a prescrição sem investigar a causa.

“O ceratocone é uma doença da córnea em que ela vai ficando mais fina e assumindo um formato irregular, parecido com um cone. Isso provoca distorção da visão e dificuldade para enxergar com qualidade”, afirma o oftalmologista Rodrigo Carvalho.

Sinais de alerta que merecem avaliação

O desafio, segundo o especialista, é que o início do quadro pode se confundir com um aumento de grau aparentemente comum. “Muitos pacientes passam anos trocando os óculos sem imaginar que existe uma doença por trás dessa piora visual”, diz.

Entre os sintomas mais frequentes estão visão embaçada, sensibilidade à luz, imagens duplicadas, piora para dirigir à noite e necessidade de mudar a prescrição repetidas vezes. Em alguns casos, mesmo com óculos, a visão segue insatisfatória.

Por que coçar os olhos pode agravar

Um fator associado à piora do ceratocone é o atrito repetido nos olhos. “Hoje sabemos que o atrito repetitivo pode enfraquecer ainda mais a córnea e acelerar a evolução do ceratocone, principalmente em pessoas predispostas”, explica Carvalho.

Quadros de rinite, alergias respiratórias e alergia ocular também entram no radar, porque aumentam a coceira e, consequentemente, o hábito de esfregar os olhos. Para quem tem sintomas alérgicos e coça os olhos com frequência, a orientação é procurar avaliação médica para controlar as causas da irritação e investigar alterações na córnea.

Diagnóstico e opções de tratamento

O diagnóstico é feito em consulta oftalmológica, com exames específicos que analisam a córnea. Segundo o médico, a tomografia de córnea pode identificar alterações ainda no início e ajudar no acompanhamento da progressão. “Com exames como a tomografia de córnea, conseguimos detectar sinais iniciais e acompanhar a progressão com muito mais precisão”, afirma.

O tratamento varia conforme o estágio e pode incluir óculos, lentes especiais, implante de anéis intracorneanos e o crosslinking, procedimento que fortalece a córnea para frear a evolução. “O principal objetivo do crosslinking é estabilizar a doença. Hoje, graças ao diagnóstico precoce e aos tratamentos modernos, conseguimos reduzir bastante a necessidade de transplante de córnea”, diz o oftalmologista.