Fisiologia

Abril Marrom: até 80% dos casos de cegueira podem ser evitados com diagnóstico

Campanha chama atenção para doenças que avançam sem sintomas, como glaucoma e retinopatia diabética, e reforça a importância da consulta anual ao oftalmologista.

Por Redação Brazil Health , 09/04/2026

4 min de leitura

Abril Marrom: até 80% dos casos de cegueira podem ser evitados com diagnóstico

De 60% a 80% dos casos de cegueira no mundo são evitáveis ou tratáveis, segundo dados da Organização Mundial da Saúde (OMS) e da Organização Pan-Americana da Saúde (OPAS). O alerta ganha força no Abril Marrom, mês de conscientização sobre prevenção da perda de visão, em um cenário de envelhecimento da população e aumento de doenças crônicas, como o diabetes.

No Brasil, especialistas apontam que ainda há muitas pessoas perdendo a visão por causas que poderiam ser identificadas e tratadas a tempo. “O Brasil ainda é um dos locais com grande concentração de cegueira tratável. A catarata continua sendo a principal causa, e isso mostra que ainda temos pessoas perdendo a visão por algo que poderia ser resolvido”, afirma o oftalmologista Leon Grupenmacher, coordenador da oftalmologia do Eco Medical Center.

Catarata lidera casos e tem tratamento cirúrgico

A catarata responde por cerca de metade dos casos de cegueira no mundo, de acordo com o especialista. A condição é mais comum com o avanço da idade e ocorre quando o cristalino, uma lente natural do olho, perde a transparência.

Os sinais incluem visão embaçada, dificuldade para dirigir à noite, perda de nitidez das cores e sensação de “vidro fosco”. “Com o tempo, isso começa a impactar tarefas simples do dia a dia, como assistir TV ou dirigir. Ou o paciente começa a tropeçar em coisas que não enxergou no caminho”, diz Grupenmacher. O tratamento é cirúrgico e pode restaurar a visão.

Glaucoma pode tirar a visão sem dar sinais no começo

O glaucoma é a principal causa de cegueira irreversível no mundo, segundo a OPAS, e responde por cerca de 12% a 13% dos casos globais de perda total da visão. No Brasil, o Conselho Brasileiro de Oftalmologia estima entre 1,5 milhão e 2 milhões de pessoas com a doença, com parte delas ainda sem diagnóstico.

“O glaucoma não dá sintomas no início. A pressão do olho vai danificando o nervo óptico aos poucos. Quando o paciente percebe, já perdeu parte da visão. E essa perda é irreversível”, alerta o médico. O problema costuma afetar primeiro a visão lateral, o que pode se manifestar em situações do cotidiano, como esbarrões em objetos e dificuldade para notar veículos na lateral no trânsito. “O glaucoma não tem cura, mas tem tratamento. Com colírios e acompanhamento, conseguimos preservar a visão, frear a doença”, completa.

Diabetes e ceratocone também exigem atenção

Outra condição que preocupa é a retinopatia diabética, apontada como uma das principais causas de cegueira em idade produtiva. Ela pode evoluir sem sintomas no início e, quando aparecem, podem surgir manchas escuras, visão borrada e dificuldade para focar. O acompanhamento oftalmológico e o controle do diabetes ajudam a reduzir o risco de progressão.

Entre os mais jovens, o ceratocone pode surgir ainda na adolescência, alterando o formato da córnea e distorcendo a visão. “A imagem começa a ficar deformada, como se estivesse distorcida. A luz incomoda mais, especialmente à noite, e o paciente perde o foco”, explica Grupenmacher. Ele também chama atenção para o hábito de coçar os olhos, que pode agravar casos já existentes.

Dados citados em estudo publicado na plataforma SciELO indicam que 11,4% dos brasileiros nunca foram ao oftalmologista e que cerca de 35% só procuram atendimento quando já têm dificuldade para enxergar. Para especialistas, a recomendação é consultar o oftalmologista pelo menos uma vez por ano, mesmo sem sintomas, especialmente para rastrear doenças silenciosas.

Alguns sinais merecem atenção e não devem ser ignorados:

  • dificuldade para enxergar à noite
  • sensibilidade à luz
  • perda gradual da visão lateral
  • necessidade frequente de trocar o grau dos óculos
  • visão embaçada ou distorcida

“Quanto mais cedo a gente diagnostica, maior a chance de preservar a visão. Seja com cirurgia, colírio ou acompanhamento, o tratamento precoce muda completamente o futuro do paciente”, afirma o oftalmologista.