Radioterapia

Periodontite pode avançar sem dor e levar à perda de dentes; saiba identificar

Sangramento na escovação, mau hálito que não melhora e retração da gengiva estão entre os sinais que pedem avaliação. Dentista explica por que o diagnóstico precoce ajuda a evitar tratamentos mais complexos.

Por Redação Brazil Health , 20/06/2026

4 min de leitura

Periodontite pode avançar sem dor e levar à perda de dentes; saiba identificar

Sangrar ao escovar os dentes ou ao passar fio dental costuma ser tratado como algo “normal”, mas pode indicar uma inflamação capaz de comprometer o osso que sustenta os dentes. A periodontite é uma doença infecciosa e inflamatória que afeta a gengiva e as estruturas de suporte dental e pode evoluir sem dor, aumentando o risco de diagnóstico tardio e de perda dentária.

Em geral, o problema começa como gengivite, um quadro mais superficial e reversível. Sem tratamento, a inflamação pode avançar, atingir o osso ao redor do dente e enfraquecer sua fixação.

Segundo a periodontista e implantodontista Cristina Miura, a falta de dor é um dos motivos mais comuns para a demora em buscar ajuda. “A doença periodontal avança em silêncio. O paciente não sente nada, continua escovando os dentes normalmente e acha que está tudo bem. Quando percebe, já perdeu parte do osso”, afirma.

Por que a doença pode evoluir sem causar dor

A dor nem sempre aparece nas fases iniciais. Por isso, sinais como sangramento, gengiva inchada, mau hálito persistente e retração gengival podem ser mais úteis do que esperar por incômodo.

“A dor não é um bom indicador de saúde bucal”, diz Miura, ao relatar situações em que pessoas procuram o consultório pensando em uma limpeza de rotina e descobrem um quadro avançado.

Com a progressão da periodontite, pode haver retração da gengiva, sensação de dentes “mais longos”, surgimento de espaços escuros entre os dentes e, em fases mais avançadas, mobilidade.

Não é apenas falta de higiene: o que aumenta o risco

Embora escovação inadequada e acúmulo de tártaro aumentem o risco, a periodontite não se explica apenas por higiene. A especialista descreve a boca como um ambiente em que diferentes bactérias convivem, e o problema surge quando há desequilíbrio, com predomínio das associadas à inflamação.

“Existe placa que não causa doença e existe placa patogênica. Quando o equilíbrio se perde e as bactérias causadoras de doença ganham espaço, a gengiva inflama, o osso começa a ser afetado e o dente perde suporte. Isso é periodontite”, explica.

Esse desequilíbrio pode ser favorecido por fatores como tabagismo, diabetes, alterações hormonais e predisposição genética, além do tártaro e da higiene insuficiente.

Sinais de alerta e quando o tratamento pode ser menos invasivo

Especialistas recomendam avaliação odontológica se houver sangramento persistente, mau hálito que não melhora, gengiva vermelha, inchada ou retraída, aparência de dentes mais longos, espaços entre os dentes ou qualquer sensação de dente “mole”.

Nem todo caso exige cirurgia. Miura afirma que quadros leves e moderados podem responder a abordagens não cirúrgicas, especialmente quando identificados cedo. “A cirurgia existe e tem seu papel em casos específicos. Mas muitos pacientes chegam acreditando que vão precisar de um procedimento complexo e descobrem que o tratamento pode ser mais simples do que imaginavam. O problema, quase sempre, é o tempo que se levou para buscar avaliação”, diz.

O diagnóstico costuma incluir a sondagem periodontal, exame que mede a profundidade entre dente e gengiva para identificar sinais de inflamação e perda de suporte.

A periodontite é considerada uma condição crônica, mas pode ser controlada com tratamento, acompanhamento regular e cuidados diários. A orientação é não se apoiar apenas em enxaguantes para “disfarçar” sintomas: eles podem reduzir o odor por um período, sem resolver a causa. Quanto mais cedo a doença é identificada, maior a chance de estabilizar o quadro e preservar os dentes naturais.