Estados Unidos enfrentam falta de dentistas e abrem espaço a estrangeiros
HRSA aponta 7.063 áreas com escassez e necessidade de 10 mil profissionais; 58 milhões vivem sem acesso adequado
Por Redação Brazil Health , 21/02/2026
3 min de leitura
Os Estados Unidos enfrentam uma escassez relevante de dentistas em 7.063 áreas oficialmente classificadas como carentes, segundo a agência federal Health Resources and Services Administration (HRSA). Para mitigar a demanda, seriam necessários 10.155 profissionais adicionais.
Mais de 58 milhões de pessoas vivem nessas regiões, com impacto direto no acesso a consultas, na prevenção e no tratamento de problemas bucais. A distribuição desigual da força de trabalho – mais concentrada em centros urbanos do que em áreas rurais – agrava o quadro.
Onde a falta é maior
Estimativas citadas no setor indicam que a Califórnia tem déficit próximo de 1.234 dentistas, com cerca de um profissional para cada 1.470 pessoas em áreas urbanas e um para 3.850 em zonas rurais. Na Flórida, o déficit seria de aproximadamente 1.152 dentistas, com médias de um para 1.500 nas cidades e um para 3.900 no campo. Em Nova Iorque, faltariam cerca de 1.024 profissionais, com um para 1.430 em áreas urbanas e um para 3.800 em áreas rurais.
Essas disparidades significam filas mais longas, início tardio de tratamentos e menos ações preventivas – especialmente em localidades com maior vulnerabilidade socioeconômica.
Impacto e causas
O cenário é influenciado por aposentadorias de profissionais experientes, crescimento populacional e envelhecimento da população. Embora a força de trabalho siga em expansão, a formação anual – cerca de 6,8 mil novos dentistas por ano – não acompanha a demanda e as saídas do mercado.
“Quando países enfrentam lacunas tão claras na saúde, os profissionais capacitados são não apenas bem-vindos, mas necessários para fortalecer o sistema e ampliar o acesso”, afirma o advogado licenciado nos EUA e professor de direito migratório Vinícius Bicalho.
Caminhos para atuar
Para dentistas formados no exterior, a licença profissional é concedida por conselhos estaduais, com requisitos que variam. Em geral, é preciso ter diploma reconhecido ou concluir programas específicos de adaptação (advanced standing) em escolas credenciadas, obtendo o título de D.D.S. ou D.M.D. conforme os padrões clínicos norte-americanos.
Alguns estados oferecem licenças limitadas ou temporárias para atuação sob supervisão em clínicas e serviços públicos – alternativa que pode facilitar a inserção inicial, sobretudo em áreas com maior carência.
Quanto à remuneração, estimativas de mercado apontam média mensal em torno de US$ 16,3 mil – algo próximo de R$ 81 mil considerando câmbio de R$ 5 por dólar –, valores que variam conforme estado, experiência e tipo de prática.
Para Bicalho, a escassez abre espaço para especialistas estrangeiros em regiões que têm dificuldade de atrair e reter profissionais. “Há possibilidade de contribuição significativa, sobretudo em áreas carentes que historicamente ficam à margem do acesso.”
Segundo a HRSA, muitos estados precisam reforçar seus quadros para atender milhões de pacientes com acesso limitado à odontologia. A resposta passa por ampliar formação, reter profissionais e facilitar a chegada de talentos qualificados – inclusive do exterior – às comunidades com maior necessidade.
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