Odontologia

Doce sabor, efeito devastador: vape acelera danos na boca e preocupa especialistas

Popular entre jovens, o cigarro eletrônico já mostra efeitos rápidos na saúde da boca, como cáries e gengivite, e preocupa especialistas quanto a danos precoces.

Por Redação Brazil Health , 19/05/2025

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Doce sabor, efeito devastador: vape acelera danos na boca e preocupa especialistas

Dentistas alertam que o uso de cigarros eletrônicos já provoca cáries, gengivite e retração gengival em jovens; dispositivos contêm compostos que desequilibram toda a cavidade oral

O uso de cigarros eletrônicos, conhecidos como vapes, disparou entre adolescentes e jovens adultos brasileiros, trazendo à tona uma nova preocupação de saúde: os danos precoces e graves à boca. Apesar do apelo de sabores doces e design atrativo, esses dispositivos prometeriam menos riscos que o cigarro tradicional, mas a realidade nos consultórios odontológicos é outra.

“O vape cria uma falsa sensação de segurança. Mas, em pouco tempo, já conseguimos identificar danos clínicos expressivos na boca dos pacientes”, alerta o ortodontista Wagner Alviano, doutor pela UFRJ. Segundo ele, o vapor inalado resseca a mucosa oral, altera o pH e favorece a proliferação de bactérias. Isso resulta em cáries, gengivite, retração gengival, manchas e até lesões ulceradas entre jovens anteriormente saudáveis.

Sintomas aparecem rápido e afetam até quem usa aparelho ortodôntico

  • alterações do pH favorecem bactérias agressivas
  • vapor quente pode causar inflamações e úlceras
  • risco aumentado de periodontite e perda óssea precoce
  • usuários de aparelho ortodôntico sofrem efeitos agravados

Alviano destaca que o problema tende a ser maior para quem está em tratamento ortodôntico, já que aparelhos dificultam a higienização e potencializam as inflamações. “O vape compromete a adesão ao tratamento e pode gerar inflamações prejudiciais”, afirma.

Na última semana, ganhou repercussão o relato da advogada e influenciadora Deolane Bezerra, que decidiu abandonar o vape após sofrer dores no peito. Para especialistas, esses depoimentos ajudam a combater a ideia de que o cigarro eletrônico é apenas um item de estilo de vida.

Dados preocupantes e ação das autoridades

Dados do INCA apontam que 20% dos jovens brasileiros já experimentaram o dispositivo, mesmo com a venda proibida pela Anvisa desde 2009. Substâncias como nicotina concentrada, propilenoglicol e glicerina vegetal são aquecidas e inaladas, causando danos celulares à mucosa oral.

O alerta é global: a OMS classifica o avanço do uso dos Dispositivos Eletrônicos para Fumar (DEFs) como emergência de saúde pública. O Reino Unido discute leis mais rigorosas e, no Brasil, a Anvisa reafirmou a proibição integral desses produtos em abril deste ano.

“Estamos diante de um novo inimigo travestido de tendência. Precisamos incluir a saúde bucal com mais ênfase nas campanhas de combate ao uso de cigarros eletrônicos”, conclui Alviano. O debate continua, mas os sinais do corpo são cada vez mais claros: a saúde da boca está na linha de frente do impacto provocado pelos vapes.