Obesidade

Prevenção da obesidade, médico alerta: não é estética, é saúde

Com mais de 60% dos adultos acima do peso no Brasil, endocrinologista defende acolhimento, prevenção e políticas públicas para enfrentar a obesidade.

Por Redação Brazil Health , 04/01/2026

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Prevenção da obesidade, médico alerta: não é estética, é saúde

A obesidade é um problema de saúde pública que exige ação coletiva e informação de qualidade. Segundo o endocrinologista Filippo Pedrinola, mais de 60% dos adultos brasileiros estão acima do peso e cerca de 30% já vivem com obesidade.

“A obesidade deixou de ser apenas um desafio individual para se tornar uma das maiores questões de saúde pública do nosso tempo”, afirma o médico.

Obesidade é doença, não falta de vontade

Pedrinola explica que a obesidade é uma doença complexa, influenciada por fatores genéticos, metabólicos, hormonais, ambientais e psicológicos. Reduzi-la a “falta de disciplina” aprofunda o preconceito e atrapalha o cuidado.

“É fundamental compreender: a obesidade não é culpa do indivíduo.” Para ele, “tratar o tema dessa maneira apenas atrapalha a prevenção e o tratamento”.

O estigma também pesa na saúde mental. Olhares de julgamento e a gordofobia minam a autoestima e afastam pessoas dos serviços de saúde. “Combater a gordofobia é, portanto, parte essencial da prevenção”, reforça.

Prevenção: a melhor estratégia

O médico destaca que, embora existam diferentes tratamentos, a maior força está em evitar que a doença se instale. “Embora existam diferentes formas de tratamento, é na prevenção que está a maior força contra a obesidade.”

Segundo ele, pequenas escolhas diárias fazem diferença:

  • priorizar uma alimentação equilibrada;
  • praticar atividade física regular;
  • dormir bem;
  • reduzir o consumo de ultraprocessados.

“Prevenir significa não apenas reduzir o risco de doenças graves como diabetes tipo 2, hipertensão, apneia do sono e alguns tipos de câncer, mas também garantir mais qualidade de vida e menos sobrecarga ao sistema de saúde.”

Mas a responsabilidade não pode recair só na pessoa. O especialista defende políticas públicas que facilitem a vida saudável desde cedo, com medidas como regulação da publicidade de ultraprocessados voltada às crianças, incentivo à prática esportiva e mais acesso a alimentos frescos e de qualidade.

“É preciso construir ambientes que favoreçam escolhas mais saudáveis”, pontua Pedrinola. Para marcar a data, ele resume: “obesidade não é estética, é saúde. Prevenir começa com informação correta, políticas sólidas e, sobretudo, respeito”.