Obesidade

Obesidade é doença, não falha pessoal, diz médico; cirurgia reduz riscos

Especialista da Mayo Clinic defende abordagem ampla e aponta a cirurgia bariátrica como opção eficaz para casos graves, aliada a medicamentos e cuidados multidisciplinares.

Por Redação Brazil Health , 27/01/2026

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Obesidade é doença, não falha pessoal, diz médico; cirurgia reduz riscos

Com a alta global da obesidade, um cirurgião da Mayo Clinic defende que o problema deve ser tratado como doença crônica e, em muitos casos, com recursos além de dieta e exercício. Para pessoas com obesidade grave, a cirurgia bariátrica pode reduzir riscos como diabetes, doenças cardiovasculares e alguns tipos de câncer.

Segundo a Organização Mundial da Saúde, em 2022 uma em cada oito pessoas no mundo vivia com obesidade. No Brasil, a taxa entre adultos pode chegar a cerca de 30% até 2030, de acordo com a Federação Mundial de Obesidade.

“A obesidade é uma doença complexa, não um fracasso pessoal”, afirma o cirurgião metabólico Omar Ghanem, da Mayo Clinic. “Por ser uma doença complexa, exige um tratamento abrangente. A cirurgia metabólica ajuda a tratar a obesidade de maneiras que outros tratamentos não conseguem.”

Doença crônica e estigma

Apesar de comum, a obesidade ainda é cercada por estigma, muitas vezes associado à ideia de falta de força de vontade. Pesquisas mostram que fatores psicológicos, metabólicos, comportamentais e genéticos — muitos fora do controle individual — influenciam o ganho de peso.

Um estudo publicado na revista eClinicalMedicine, do grupo The Lancet, aponta que o estigma relacionado ao peso pode afastar pacientes dos serviços de saúde, atrasar diagnósticos e reduzir a confiança em profissionais, dificultando o acesso a tratamentos baseados em evidências.

Quando a cirurgia entra em cena

Estudos indicam que a cirurgia bariátrica/metabólica é eficaz e duradoura para obesidade grave. Em média, os pacientes perdem cerca de 25% a 30% do peso corporal total e mantêm parte relevante desse resultado por anos, além de melhorar condições associadas, como apneia do sono, hipertensão e colesterol alto.

“Para muitos pacientes, a cirurgia é o ponto de virada que permite recuperar a saúde”, diz Ghanem. “Alguns deixam de precisar de medicamentos para diabetes ou pressão arterial imediatamente após a cirurgia.”

O procedimento é indicado a quem atende critérios clínicos específicos e requer avaliação multiprofissional, preparo pré-operatório e acompanhamento prolongado — pontos essenciais para segurança e manutenção dos resultados.

Em centros que reúnem diferentes especialidades, a perda de peso também pode viabilizar tratamentos antes considerados de alto risco, como transplantes, cirurgias ortopédicas e reparo de hérnias. Segundo o médico, o cuidado coordenado entre cardiologistas, endocrinologistas, anestesiologistas e outras áreas amplia as opções terapêuticas.

Horizonte terapêutico

O tratamento da obesidade caminha para integrar medicamentos antiobesidade e cirurgia. “A combinação de terapias medicamentosas e cirúrgicas tem um potencial enorme — de forma semelhante ao que ocorre no tratamento do câncer, em que medicamentos e cirurgia atuam de forma complementar”, afirma Ghanem.

Pesquisas da própria instituição relatam benefícios metabólicos sustentados após a cirurgia, redução do risco de alguns cânceres e, em situações específicas, a possibilidade de associar o procedimento bariátrico a outros, como o transplante de fígado, com impacto positivo na sobrevida.

Especialistas reforçam que, independentemente da estratégia — mudanças de estilo de vida, medicamentos, cirurgia ou a combinação dessas abordagens — o cuidado deve ser individualizado, sem estigmas, e orientado por evidências científicas e por equipes qualificadas.

Para pessoas que enfrentam obesidade e suas complicações, buscar avaliação médica é o primeiro passo para conhecer riscos, benefícios e o plano de tratamento mais adequado ao perfil de cada paciente.