Novembro Azul

Brasil Tem 70 Mil Casos Anuais de Câncer de Próstata e SBCO Reforça Rastreamento aos 45

Entidade reforça que diagnóstico precoce aumenta a chance de cura e evita terapias mais agressivas; homens negros e com histórico familiar devem começar antes.

Por Redação Brazil Health , 03/11/2025

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Brasil Tem 70 Mil Casos Anuais de Câncer de Próstata e SBCO Reforça Rastreamento aos 45

O câncer de próstata segue entre as principais ameaças à saúde do homem no país. No Novembro Azul, a Sociedade Brasileira de Cirurgia Oncológica (SBCO) recomenda que os exames de rotina comecem aos 45 anos e, em grupos de risco, ainda mais cedo. O INCA estima 71,7 mil novos casos por ano no Brasil.

No mundo, segundo o Globocan, são mais de 1,4 milhão de diagnósticos anuais e cerca de 397 mil mortes. No Brasil, excluindo o câncer de pele não melanoma, é o tumor mais frequente entre os homens e responde por três em cada dez diagnósticos oncológicos masculinos.

Desigualdades no país

As estimativas revelam um cenário desigual. O Sudeste concentra mais de 34 mil casos por ano, o Nordeste cerca de 21 mil, o Sul 8,5 mil, o Centro-Oeste 5 mil e o Norte mais de 2 mil. Estados como Bahia (79 por 100 mil homens) e Espírito Santo (72 por 100 mil) lideram a incidência, reflexo de fatores populacionais, genéticos e de acesso ao diagnóstico.

Diagnóstico precoce é decisivo

O grande entrave ainda é descobrir a doença tarde, já que ela costuma evoluir de forma silenciosa. “O diagnóstico precoce possibilita tratamento com intenção curativa, muitas vezes com técnicas menos invasivas e melhores resultados funcionais”, afirma Rodrigo Nascimento Pinheiro, presidente da SBCO, citando a chegada da cirurgia robótica ao SUS.

Dados do National Cancer Institute (EUA) mostram o impacto do tempo: quando o tumor é localizado, a sobrevida em cinco anos chega a 100%; com metástase, cai para 37,9%.

Quem deve fazer os exames

A SBCO orienta dosagem de PSA (exame de sangue) e toque retal anuais a partir dos 45 anos. Homens com histórico familiar de primeiro grau e os de ascendência negra devem iniciar antes, por apresentarem maior risco.

Detectar cedo aumenta as chances de cura e reduz a necessidade de terapias mais agressivas, com impacto direto na qualidade de vida e nos custos para o sistema de saúde.

Fatores de risco e hábitos de proteção

O envelhecimento é o principal fator de risco; a doença é mais comum após os 50 anos. Histórico familiar, raça negra, sedentarismo e obesidade também elevam a probabilidade e a agressividade do tumor. “Além das consultas e exames, vale investir em hábitos protetores: alimentação equilibrada, atividade física, menos álcool e nada de cigarro”, diz Pinheiro.

Tratamento e decisão em equipe

O tratamento varia conforme estágio, agressividade e perfil do paciente. Em tumores iniciais e de baixo risco, a vigilância ativa pode ser indicada, com acompanhamento periódico e sem intervenção imediata.

Nos casos localizados, cirurgia e/ou radioterapia são as opções curativas. Quando a doença é localmente avançada, combina-se cirurgia ou radioterapia ao bloqueio hormonal. Em metástase, a terapia hormonal é a base, com possível associação de quimioterapia ou novos antiandrogênicos. “O plano terapêutico deve ser individualizado por uma equipe multidisciplinar”, reforça o presidente da SBCO.

Robótica chega ao SUS

Em outubro, a CONITEC aprovou a incorporação da prostatectomia radical robótica no SUS para tumores localizados ou localmente avançados, ampliando o acesso a tecnologia de ponta.

“A cirurgia robótica no SUS é um marco para a oncologia brasileira. Garante resultados mais efetivos e amplia o acesso, alinhando prevenção, diagnóstico precoce e tratamento de qualidade”, afirma Pinheiro.

Estudos internacionais indicam menor taxa de complicações, internações mais curtas e melhor preservação das funções urinária e sexual quando a técnica é realizada em centros de alto volume, com potencial de custo-efetividade.

Além do ganho clínico, a medida fortalece a formação cirúrgica. “A incorporação da robótica cria um ambiente de aprendizado supervisionado e acelera a curva de treinamento, formando profissionais mais qualificados”, conclui Pinheiro.