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Proteína ligada ao Parkinson pode acelerar avanço do Alzheimer em mulheres, aponta estudo

Pesquisa da Mayo Clinic sugere que a combinação de alterações cerebrais pode fazer a doença evoluir bem mais rápido em mulheres, o que reforça a necessidade de exames e tratamentos mais personalizados.

Por Redação Brazil Health , 08/04/2026

3 min de leitura

Proteína ligada ao Parkinson pode acelerar avanço do Alzheimer em mulheres, aponta estudo

Um estudo da Mayo Clinic publicado na revista JAMA Network Open identificou que alterações cerebrais relacionadas ao Alzheimer podem avançar muito mais rapidamente em mulheres que também apresentam níveis anormais de uma proteína associada ao Parkinson. Entre os homens, o mesmo padrão não foi observado.

A pesquisa indica que a alfa-sinucleína, proteína ligada a doenças por corpos de Lewy – como Parkinson e demência com corpos de Lewy –, pode acelerar o acúmulo de tau, uma das principais marcas biológicas do Alzheimer. Na análise, essa aceleração chegou a ser de até 20 vezes entre mulheres com as duas alterações.

Os autores avaliam que a interação entre diferentes proteínas pode ajudar a explicar uma diferença já conhecida nas estatísticas da doença: mulheres representam a maior parte das pessoas que vivem com Alzheimer em países como os Estados Unidos.

“Reconhecer essas diferenças específicas entre os sexos pode nos ajudar a desenvolver ensaios clínicos mais direcionados e, em última análise, estratégias de tratamento mais personalizadas”, afirmou Kejal Kantarci, neurorradiologista da Mayo Clinic e autora sênior do estudo. Segundo ela, quando a doença evolui em ritmos muito distintos, é necessário considerar que outras alterações simultâneas podem influenciar o curso do Alzheimer.

O que são tau e alfa-sinucleína

O Alzheimer é caracterizado, entre outros processos, pelo acúmulo anormal da proteína tau no cérebro. Já a alfa-sinucleína está associada às doenças por corpos de Lewy, grupo que inclui o Parkinson. Ambas existem naturalmente no organismo, mas em doenças neurodegenerativas podem sofrer alterações, “dobrar” de forma inadequada e se agrupar em depósitos que prejudicam a comunicação entre as células do cérebro.

O objetivo dos pesquisadores foi avaliar se a presença simultânea dessas duas alterações mudaria a velocidade de progressão do Alzheimer e se isso ocorreria de modo diferente entre mulheres e homens.

Como o estudo foi feito

A equipe analisou dados de 415 participantes da Alzheimer’s Disease Neuroimaging Initiative, um consórcio de pesquisa que acompanha alterações cerebrais ao longo do tempo. Os voluntários fizeram exames de líquido cefalorraquidiano para identificar alfa-sinucleína anormal e passaram por avaliações repetidas de neuroimagem para medir a evolução do acúmulo de tau.

Cerca de 17% apresentaram sinais de alfa-sinucleína anormal. Nesse grupo, mulheres com alterações compatíveis com Alzheimer e com a proteína relacionada ao Parkinson tiveram um aumento significativamente mais rápido do acúmulo de tau do que homens na mesma condição.

“Isso abre uma nova linha de investigação para compreender por qual motivo as mulheres são desproporcionalmente afetadas pela demência”, disse Elijah Mak, pesquisador em neuroimagem da Mayo Clinic e primeiro autor do estudo. Para ele, entender os mecanismos dessa vulnerabilidade pode apontar alvos terapêuticos ainda pouco explorados.

Próximos passos

Os pesquisadores agora investigam se diferenças semelhantes aparecem em pessoas com demência com corpos de Lewy, condição em que a alfa-sinucleína é a principal proteína associada ao processo da doença. A ideia é esclarecer se o efeito observado é específico do Alzheimer ou se reflete uma vulnerabilidade biológica mais ampla, relacionada ao sexo, em diferentes doenças neurodegenerativas.