Prevenção do Alzheimer começa na infância e pode reduzir risco de demência quase pela metade
Medidas como controlar pressão e diabetes, praticar exercícios e cuidar da audição e do sono ajudam a proteger o cérebro ao longo da vida, explica o neurologista Fabricio Ferreira de Oliveira.
Por Redação Brazil Health , 26/06/2026
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Ainda não existe um tratamento realmente eficaz para a maioria das doenças neurodegenerativas, como o Alzheimer, capaz de mudar de forma significativa o dia a dia dos pacientes. Por isso, ganharam força nos últimos anos as estratégias de prevenção, que envolvem desde hábitos de vida até cuidados com condições de saúde comuns, como hipertensão e diabetes.
O neurologista Fabricio Ferreira de Oliveira afirma que a prevenção precisa ser entendida como um conjunto de atitudes acumuladas ao longo da vida, e não como uma lista de recomendações apenas para a terceira idade. “A prevenção da doença de Alzheimer começa na infância”, destaca o especialista.
Parte dessa lógica vem do fato de que o principal fator de risco para o Alzheimer é a idade, algo inevitável. A boa notícia é que fatores de risco considerados “modificáveis” podem ser controlados, reduzindo de forma importante a chance de desenvolver demência. Quando bem manejados, esses fatores são capazes de diminuir a incidência das síndromes demenciais quase pela metade.
Na prática, isso significa que a prevenção envolve educação formal no começo da vida, controle de doenças crônicas na meia-idade e, na velhice, atenção extra a sentidos como audição e visão, além do combate ao isolamento social e à exposição à poluição do ar.
O que muda em cada fase da vida
Segundo Fabricio Ferreira de Oliveira, a escolaridade e o estímulo intelectual desde cedo ajudam a construir uma espécie de “proteção” contra perdas cognitivas no futuro. Na meia-idade, o foco principal é reduzir riscos cardiovasculares que afetam diretamente o cérebro, como pressão alta, diabetes e colesterol elevado, além de manter um peso saudável.
Também entram nessa lista medidas comportamentais importantes: não fumar, evitar bebidas alcoólicas e manter uma rotina regular de atividades físicas. Outra frente muitas vezes subestimada é tratar a perda auditiva, já que a redução de estímulos sonoros pode prejudicar a interação social e a estimulação do cérebro.
Na idade avançada, além de reforçar o controle das condições clínicas, o cuidado se amplia para a visão, a redução de exposição a poluentes e a prevenção do isolamento social, fator associado a piora cognitiva.
Reserva cognitiva: por que o estilo de vida protege o cérebro
O especialista explica que as medidas preventivas nem sempre impedem completamente as alterações patológicas do cérebro associadas a doenças neurodegenerativas. Ainda assim, elas podem fortalecer as conexões entre neurônios, criando uma “margem de segurança” funcional. “Estratégias de prevenção podem ajudar a criar mais conexões entre os neurônios ao longo da vida, o que protege o cérebro”, afirma Fabricio Ferreira de Oliveira, ao se referir ao conceito de reserva cognitiva.
Em outras palavras: mesmo que alterações relacionadas ao Alzheimer comecem a se desenvolver, um cérebro mais estimulado e “treinado” pode demorar mais para apresentar sintomas e perder autonomia.
Sono, alimentação e estímulos: pilares do cuidado diário
Entre os hábitos com impacto direto na saúde cerebral, o sono aparece como um dos mais relevantes. Durante o descanso noturno, o cérebro passa por processos que favorecem o funcionamento das redes neurais e a “limpeza” de subprodutos do metabolismo.
Para dormir melhor, o neurologista chama atenção para a necessidade de rotina e disciplina, com hábitos que ajudam o corpo a reconhecer a hora de desacelerar. “Ter sono apropriado requer disciplina”, afirma Fabricio Ferreira de Oliveira.
- priorizar dormir à noite e evitar cochilos ao longo do dia
- ir para a cama quando o sono chegar, em vez de permanecer acordado na cama
- manter um horário relativamente fixo para acordar
- fazer atividades físicas durante o dia e evitar sedentarismo
- reduzir luz intensa e som alto à noite
- evitar bebidas alcoólicas e cafeína no período noturno
- não recorrer a remédios para dormir sem orientação médica
A alimentação também entra como ferramenta de prevenção, principalmente por ajudar a proteger a circulação sanguínea do cérebro e reduzir fatores de risco como obesidade, hipertensão e alterações metabólicas. Nesse ponto, evitar ultraprocessados é uma estratégia importante. Além disso, atividades ocupacionais e de lazer ajudam a manter o cérebro ativo e bem conectado.
Exercício físico e outros fatores que pesam no risco
O estilo de vida, de forma geral, está diretamente ligado ao risco de distúrbios cognitivos. Atividades intelectuais, físicas e de lazer, bons hábitos alimentares, evitar vícios e tratar transtornos neuropsiquiátricos contribuem para retardar o surgimento dos sintomas e preservar a qualidade de vida.
Quando o assunto é exercício, há um destaque: “Nos casos de atividades físicas, os exercícios aeróbicos são os únicos com eficácia comprovada”, afirma o neurologista. Ele também ressalta que condições como depressão devem ser tratadas, já que transtornos de humor podem interferir no estilo de vida e na saúde cerebral.
Outros pontos entram no radar da prevenção: traumas cranianos, mesmo leves, especialmente quando há perda de consciência, podem aumentar o risco de demência. Já boas condições sanitárias ao longo da vida tendem a reduzir infecções e exposições repetidas a micro-organismos, um fator que pode influenciar fenômenos neurodegenerativos.
Embora a genética tenha peso no risco individual, o médico enfatiza que hábitos saudáveis são a forma mais consistente de lidar com essa vulnerabilidade. “Adotar hábitos de vida saudáveis é a melhor forma de combater a neurodegeneração cerebral”, conclui Fabricio Ferreira de Oliveira.
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