Cirurgia do Aparelho Digestivo

Parkinson deve dobrar até 2050: saiba reconhecer os sinais antes do tremor

Por Redação Brazil Health , 04/06/2026

3 min de leitura

Parkinson deve dobrar até 2050: saiba reconhecer os sinais antes do tremor

O número de pessoas com doença de Parkinson deve dobrar até 2050, alcançando cerca de 25 milhões, segundo projeções citadas pelo neurologista Marcelo Zalli, professor titular de Neurologia na Universidade do Vale do Itajaí. Fatores como envelhecimento populacional, exposição ambiental, hábitos modernos e maior capacidade diagnóstica ajudam a explicar a tendência.

“O envelhecimento populacional é um dos principais fatores por trás desse aumento, mas não o único”, afirma Zalli.

A doença ocorre quando células que produzem dopamina, substância essencial ao controle dos movimentos, começam a se deteriorar. O tremor é o sintoma mais conhecido, mas pode surgir mais tarde. Como destaca o especialista: “Embora o tremor seja o sintoma mais conhecido, ele não é necessariamente o primeiro a aparecer.”

Os sinais iniciais costumam ser discretos e facilmente confundidos com situações do dia a dia. Entre eles estão:

  • Redução do olfato
  • Constipação persistente
  • Alterações no sono
  • Queda da expressão facial
  • Mudança na letra, que fica menor e trêmula
  • Rigidez muscular e lentidão para tarefas simples
  • Perda de equilíbrio

Muitas vezes, familiares e amigos percebem as mudanças antes do próprio paciente. Por isso, atenção ao comportamento e ao corpo faz diferença. “Esse atraso tem impacto direto no tratamento: quanto mais cedo a intervenção ocorre, melhor é o controle dos sintomas e maior é a preservação funcional ao longo dos anos”, diz o neurologista.

Diagnóstico exige olhar clínico e tratamento sob medida

O diagnóstico é essencialmente clínico e combina histórico, avaliação dos sintomas, exame neurológico e exclusão de outras causas. “Diagnosticar Parkinson exige avaliação clínica detalhada”, afirma Zalli. Ele reforça: “Não há um exame único capaz de confirmar a doença.” Em casos específicos, exames de imagem funcional podem ajudar, mas a experiência do especialista segue central.

Com o diagnóstico estabelecido, o plano terapêutico é personalizado. “Quando o diagnóstico é estabelecido, o tratamento é individualizado”, explica Zalli. A base costuma incluir medicamentos que repõem ou imitam a dopamina. Estratégias não farmacológicas também são fundamentais: fisioterapia especializada, atividade física regular, fonoaudiologia e terapia ocupacional. Em casos selecionados, a estimulação cerebral profunda pode melhorar de forma relevante os sintomas motores.

Reconhecer cedo muda a trajetória

Mesmo sendo uma doença progressiva, o manejo adequado tende a preservar a autonomia por longos períodos. Como resume o especialista: “Apesar de ser uma doença progressiva, o Parkinson pode ser manejado de forma eficaz por longos períodos quando identificado cedo.” Pesquisas em andamento buscam estratégias de neuroproteção para desacelerar a degeneração celular, trazendo perspectivas mais otimistas.

O recado é claro: observar sinais discretos, reconhecer mudanças sutis e procurar avaliação neurológica ao menor sinal de dúvida aumentam as chances de um diagnóstico precoce, de um tratamento mais eficaz e de mais qualidade de vida ao longo dos anos.