Cirurgia do Aparelho Digestivo

Inteligência artificial pode acelerar diagnóstico de epilepsia e detectar crises discretas

Ferramentas que analisam eletroencefalogramas vêm sendo usadas para reconhecer padrões de crises, mas especialistas ressaltam que a tecnologia serve como apoio e não substitui a avaliação médica.

Por Redação Brazil Health , 28/04/2026

3 min de leitura

Inteligência artificial pode acelerar diagnóstico de epilepsia e detectar crises discretas

A inteligência artificial começa a ganhar espaço como aliada no diagnóstico da epilepsia, doença neurológica que pode passar despercebida por anos quando as crises não têm sinais claros. A proposta é usar sistemas capazes de analisar exames, como o eletroencefalograma (EEG), para identificar padrões compatíveis com eventos epilépticos e ajudar a reduzir atrasos no início do tratamento.

O tema é relevante porque a epilepsia ainda é subdiagnosticada em diferentes idades, especialmente quando as manifestações fogem do estereótipo das convulsões. “Crises de ausência, por exemplo, são caracterizadas por breves episódios de ‘desligamento’, com olhar fixo e rápida retomada da consciência, frequentemente confundidos com distração. Já crises focais podem provocar alterações sensoriais, emocionais ou comportamentais, sem sinais motores evidentes. Em alguns casos, as manifestações ocorrem durante o sono e passam despercebidas”, afirma a neurologista infantil Letícia Sampaio, presidente da Liga Brasileira de Epilepsia.

A diversidade de sinais, segundo a especialista, contribui para que familiares, escolas e até serviços de saúde interpretem os episódios como variações de atenção, comportamento ou cansaço, o que pode atrasar a investigação adequada.

Como a tecnologia pode ajudar

Ao cruzar grandes volumes de dados e buscar padrões difíceis de notar a olho nu, a inteligência artificial pode apoiar médicos na triagem de exames e na identificação de crises mais discretas. “Ela não substitui o médico, mas pode ser uma ferramenta poderosa para ampliar o conhecimento e aprimorar o cuidado das pessoas com epilepsia. Pode ajudar a identificar padrões que nem sempre são facilmente percebidos, contribuindo para diagnósticos mais precoces e precisos”, diz Sampaio.

Na prática, a expectativa é que ferramentas desse tipo contribuam para decisões mais rápidas e para um acompanhamento mais individualizado, sem dispensar a análise clínica e a correlação com sintomas, histórico e exames complementares.

Números da epilepsia e importância do diagnóstico

Dados da Organização Mundial da Saúde estimam que cerca de 50 milhões de pessoas vivam com epilepsia no mundo. No Brasil, o Ministério da Saúde calcula que a condição atinja cerca de 2% da população, o que representa mais de 2 milhões de pessoas.

O diagnóstico correto é considerado decisivo para iniciar tratamento e reduzir riscos. Com acompanhamento e medicação adequados, cerca de 70% dos pacientes podem ter as crises controladas.

Estigma ainda pesa no cuidado

Além das dificuldades clínicas, pessoas com epilepsia ainda enfrentam desinformação e estigma social. Para especialistas, ampliar o conhecimento sobre sinais menos óbvios e incorporar novas tecnologias de forma responsável pode melhorar a detecção da doença e a qualidade do cuidado, sem criar a falsa ideia de que algoritmos substituem a avaliação médica.