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Enxaqueca: doença incapacitante pode ser controlada com tratamento e prevenção

Junho marca a conscientização sobre a enxaqueca, que vai além de uma dor de cabeça comum e pode afetar sono, memória e rotina. Especialistas alertam para riscos da automedicação e defendem abordagem individualizada.

Por Redação Brazil Health , 02/06/2026

4 min de leitura

Enxaqueca: doença incapacitante pode ser controlada com tratamento e prevenção

Junho é o mês de conscientização sobre a enxaqueca, condição neurológica que está entre as mais incapacitantes no mundo e costuma levar mais pessoas ao consultório do que outros tipos de dor de cabeça. Apesar de não ter cura, a doença pode ser controlada com acompanhamento médico e estratégias de prevenção, especialmente em quem convive com crises frequentes.

A enxaqueca é o segundo tipo mais comum de cefaleia, atrás apenas da cefaleia tensional. A diferença é que, na enxaqueca, além da dor geralmente pulsátil, podem surgir sintomas que comprometem o dia a dia. “A enxaqueca impacta a vida das pessoas em diversos aspectos. Além da dor de cabeça latejante, o paciente fica mais sensível à luz, aos sons e ao barulho, sofre com náuseas e tontura e tem uma piora no sono, na atenção e na memória”, afirma o neurologista Tiago de Paula, especialista em cefaleia e membro da International Headache Society e da Sociedade Brasileira de Cefaleia.

Por que é mais comum em mulheres

Segundo o médico, há um componente genético importante, com diversos pontos do código genético associados à predisposição. Ele também destaca a influência hormonal. “Existe também uma questão hormonal. Hormônios como o estrogênio influenciam na sensibilidade e prevalência dos sintomas. Por isso, é mais comum em mulheres”, explica.

Além disso, fatores do estilo de vida podem aumentar a frequência e a gravidade das crises, como estresse, excesso de estímulos e sono irregular. “Por exemplo, uma pessoa que tem uma vida muito intensa, está sempre exposta a estímulos, sofre com grande estresse e não dorme direto tende a sofrer com crises mais frequentes e mais graves”, diz.

Automedicação pode piorar e cronificar a dor

O neurologista alerta que o uso repetido de remédios para “apagar” a crise, sem plano de tratamento, pode se tornar parte do problema. “Pelo contrário. Os remédios para crises são cronificadores da enxaqueca. Esses medicamentos não tratam a doença de forma efetiva e, quanto mais remédios você toma, menos eles funcionam e mais dor você sente. É um quadro conhecido como cefaleia por uso excessivo de medicamentos”, afirma.

De acordo com ele, esse padrão pode reduzir a resposta aos tratamentos considerados de primeira linha e levar a um ciclo de dor mais difícil de controlar.

Tratamento combina prevenção e abordagem global

O controle da enxaqueca, explica o especialista, costuma envolver mudanças no estilo de vida e terapias com evidência científica. “Além de mudanças na alimentação e no estilo de vida acompanhadas por nutricionistas e psicólogos, utilizamos tratamentos de primeira linha com evidência cientifica para a condição, como a toxina botulínica, que é aplicada em pontos nervosos específicos para reduzir a sensibilidade do cérebro a dor”, afirma.

Outra alternativa citada são os anticorpos monoclonais anti-CGRP, medicamentos desenvolvidos especificamente para enxaqueca. “Eles bloqueiam o efeito do peptídeo relacionado ao gene da calcitonina (CGRP), que contribui para a inflamação e transmissão de dor e está presente em maiores níveis em pacientes com enxaqueca”, diz. Em casos de enxaqueca crônica, ele observa que a combinação de terapias pode trazer resultados superiores ao uso isolado.

O tratamento também pode incluir fisioterapia e, em alguns casos, dispositivos de neuroestimulação. “Essa tecnologia promove uma estimulação elétrica transcutânea do nervo trigêmeo, diminuindo a transmissão de sinais de dor e reduzindo a excitabilidade cerebral”, afirma.

Para o especialista, a mensagem central do mês de conscientização é que, embora a enxaqueca crônica não tenha cura, há controle possível com plano individualizado. “A avaliação individual é essencial para recomendação do plano de tratamento mais adequado para cada caso”, conclui.