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Dormir mal pode acelerar envelhecimento do cérebro e elevar risco de demência

Pesquisa com 7 mil adultos usou inteligência artificial para analisar ondas cerebrais no sono e associou “idade cerebral” mais alta do que a idade real a maior chance de demência ao longo dos anos.

Por Redação Brazil Health , 25/05/2026

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Dormir mal pode acelerar envelhecimento do cérebro e elevar risco de demência

Uma pesquisa internacional liderada pela Universidade da Califórnia, em São Francisco, reforça a ligação entre sono de má qualidade e risco aumentado de demência. O estudo sugere que sinais de envelhecimento cerebral podem aparecer durante o sono antes mesmo de sintomas como lapsos de memória.

Publicado na JAMA Network Open, o trabalho analisou exames de eletroencefalograma (EEG) feitos durante o sono de cerca de 7 mil pessoas entre 40 e 94 anos. No início, nenhum participante tinha demência. Os voluntários foram acompanhados por 3,5 a 17 anos, período em que aproximadamente mil desenvolveram o transtorno.

Com ajuda de inteligência artificial, os pesquisadores estimaram uma “idade cerebral” a partir das ondas cerebrais registradas no sono. Quando essa idade calculada era maior do que a idade cronológica, o risco de demência aumentava. A cada 10 anos de diferença, a chance subia cerca de 40%, segundo os resultados.

Para o neurologista Diogo Haddad, do Alta Diagnósticos (RJ), o achado reforça que dormir bem vai além de descansar. “Durante o sono noturno, o cérebro faz uma espécie de autorrestauração, o que está totalmente ligado à saúde cognitiva”, afirma. “Quando ocorre uma falha nesse processo, os sinais podem ser identificados nas ondas cerebrais no eletroencefalograma, antes mesmo dos primeiros sintomas das doenças neurodegenerativas.”

O que o exame do sono pode revelar

Na avaliação clínica, o EEG é um dos exames usados para monitorar a atividade elétrica cerebral e identificar padrões compatíveis com sono fragmentado ou alterações que atrapalham o descanso. Haddad explica que o objetivo é entender se o paciente consegue alcançar fases profundas do sono, consideradas importantes para processos como a consolidação da memória.

O neurologista cita ainda a eletroneuromiografia como exame complementar em alguns casos, principalmente quando há suspeita de distúrbios que interrompem o repouso. “A eletroneuromiografia pode ser essencial para diagnosticar distúrbios de movimento, como a síndrome das pernas inquietas, ou neuropatias que causam dor e fragmentam o sono, impedindo que o cérebro complete seus ciclos de restauração”, diz.

Hábitos que podem proteger o cérebro

Embora o estudo não prove que melhorar o sono, por si só, previna demência, ele aponta para a importância de reconhecer e tratar precocemente distúrbios do sono. “Quando diagnosticamos e tratamos um distúrbio precocemente, estamos agindo diretamente na prevenção”, afirma Haddad.

Entre medidas gerais, ele destaca a importância de manter rotina regular para dormir e acordar, reduzir exposição a telas antes de deitar e cuidar do ambiente do quarto, além de buscar avaliação médica em casos de insônia persistente ou suspeita de apneia. “Isso não melhora apenas o humor e a disposição no dia seguinte, mas protege a reserva cognitiva a longo prazo”, conclui.