Dor de cabeça frequente atinge 13 milhões e pode piorar com analgésico em excesso
No Dia Nacional de Combate à Cefaleia, especialistas alertam que crises em muitos dias do mês exigem avaliação médica e podem ter causas e tratamentos diferentes.
Por Redação Brazil Health , 20/05/2026
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Dor de cabeça é um dos sintomas mais comuns no dia a dia, mas deixa de ser “normal” quando se repete com frequência ou passa a limitar a rotina. No Brasil, cerca de 13 milhões de pessoas convivem com episódios em 15 ou mais dias por mês, situação compatível com cefaleia crônica, segundo dados divulgados pela Sociedade Brasileira de Cefaleia.
O tema ganha visibilidade em 19 de maio, Dia Nacional de Combate à Cefaleia, criado para orientar a população sobre prevenção, diagnóstico e riscos do tratamento por conta própria. A principal preocupação é o uso repetido de analgésicos sem investigação da causa da dor, prática que pode agravar o quadro e contribuir para a cronificação.
Dados internacionais reforçam o impacto do problema. Uma análise do Global Burden of Disease publicada em 2025 na revista The Lancet estimou que, em 2021, cerca de 2 bilhões de pessoas viviam com cefaleia tensional e 1,2 bilhão com enxaqueca. A Organização Mundial da Saúde também aponta efeitos relevantes na qualidade de vida e na produtividade.
Quando a dor deixa de ser “passageira”
Para os especialistas, o ponto central é diferenciar os tipos de cefaleia e entender o padrão das crises. “Quando a dor passa a acontecer muitos dias no mês, interfere na rotina ou exige uso frequente de medicação, ela deixa de ser apenas um incômodo e precisa ser avaliada de forma especializada”, afirma Diogo Haddad, neurologista e coordenador do Centro Especializado em Neurologia do Hospital Alemão Oswaldo Cruz.
Segundo o médico, nem toda dor de cabeça é enxaqueca e nem todo caso segue o mesmo tratamento. Entre os fatores associados, podem estar tensão muscular, alterações do sono, jejum prolongado, estresse, consumo excessivo de analgésicos ou doenças que exigem investigação específica.
Pela Classificação Internacional das Cefaleias, a enxaqueca crônica é caracterizada por dor em 15 ou mais dias por mês por mais de três meses, sendo que em pelo menos oito desses dias há características de enxaqueca, como dor pulsátil, piora com atividade física, náuseas, vômitos e sensibilidade à luz ou ao som.
Quando procedimentos entram no tratamento
Em parte dos casos de cefaleia crônica ou enxaqueca com pouca resposta ao tratamento convencional, procedimentos podem ser considerados como parte do plano terapêutico, sempre após avaliação neurológica. Entre as opções citadas por especialistas estão aplicação de toxina botulínica, bloqueios anestésicos de nervos periféricos (como o occipital) e técnicas de neuromodulação.
“Os procedimentos podem ajudar a reduzir a frequência e a intensidade das crises em pacientes selecionados, mas precisam ser indicados com critério. A ideia não é tratar uma dor comum de forma agressiva, e sim oferecer alternativas para quadros crônicos, refratários ou muito incapacitantes”, diz Roberta Risso, anestesista especialista em dor do Hospital Alemão Oswaldo Cruz.
Sinais que pedem atendimento imediato
Embora a maioria das dores de cabeça esteja ligada a condições benignas, os especialistas recomendam procurar avaliação médica urgente em casos de dor súbita e muito intensa, especialmente se houver febre, confusão mental, desmaio, alteração visual, perda de força, rigidez na nuca, início após trauma, mudança importante no padrão da dor ou surgimento de uma cefaleia nova após os 50 anos.
Também merece investigação a dor que se repete com frequência, exige analgésicos de forma contínua, acorda a pessoa durante a noite ou causa prejuízo no trabalho, nos estudos e nas atividades cotidianas.
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