Cirurgia do Aparelho Digestivo

Cefaleia em salvas: 5 dúvidas sobre a dor de cabeça súbita e muito intensa

Crises surgem de forma súbita, costumam ser de um lado só e podem se repetir por semanas. Neurologista explica sinais típicos, por que o diagnóstico demora e quais opções ajudam a controlar o problema.

Por Redação Brazil Health , 26/03/2026

3 min de leitura

Cefaleia em salvas: 5 dúvidas sobre a dor de cabeça súbita e muito intensa

A cefaleia em salvas é um tipo de dor de cabeça marcada por crises muito fortes, que começam de repente e atingem o pico em poucos minutos. Apesar de ser considerada uma das dores mais incapacitantes, o problema ainda é pouco reconhecido e muitos pacientes passam por vários consultórios até chegar ao diagnóstico correto.

Segundo a Sociedade Brasileira de Cefaleia, a condição atinge cerca de 8 milhões de pessoas no mundo. O diagnóstico é clínico e, em geral, feito por neurologistas, que avaliam o padrão das crises e os sinais associados para diferenciar a cefaleia em salvas de outros tipos de dor, como a enxaqueca.

O que é e por que a dor volta em “períodos”

A cefaleia em salvas costuma ocorrer em ciclos: a pessoa passa por um período de semanas ou meses com crises repetidas, que podem acontecer várias vezes ao dia, e depois fica um tempo sem sintomas. “A pessoa tem períodos limitados de crises muito severas, várias vezes ao dia, durante um período determinado que pode ser de semanas até meses”, explica a neurologista Thais Villa.

Mesmo quando o ciclo é curto, o impacto pode ser grande. “São crises muito severas. Então, mesmo que elas aconteçam por 15 dias ou por um mês, a dor é excruciante e limita completamente a atividade da pessoa”, afirma.

Sinais típicos: de um lado só e com sintomas no olho e no nariz

Um dos traços mais característicos é a dor unilateral, geralmente sempre do mesmo lado, com foco ao redor do olho e na região da têmpora. As crises tendem a durar pouco, em torno de 30 a 40 minutos, mas com intensidade muito alta.

Além da dor, podem aparecer sinais no mesmo lado do rosto: olho vermelho, lacrimejamento e nariz entupido. Outro ponto que ajuda a diferenciar de enxaqueca é o comportamento durante a crise. “Diferente da enxaqueca, as pessoas tendem também a apresentar uma agitação extrema”, diz Villa.

Diagnóstico e tratamento: o que costuma ajudar

Não há um exame específico que confirme a cefaleia em salvas. “Não existe exame que demonstre a cefaleia em salvas, o diagnóstico é totalmente clínico”, destaca a neurologista. Por ocorrer em ciclos e ter intervalos longos entre as fases de crise, o reconhecimento pode ser tardio, mesmo existindo opções para prevenção.

Entre as abordagens citadas pela especialista estão o uso de oxigênio durante as crises e procedimentos como bloqueios anestésicos em séries, para encurtar o período de “salvas”. Ela também alerta que analgésicos comuns não são a melhor escolha nesses casos. “O uso de oxigênio durante as crises [ajuda] para evitar a medicação com analgésicos, que não são indicados”, afirma.

Para reduzir a frequência das crises, há tratamentos preventivos com medicamentos. Villa cita a possibilidade de uso de terapias anti-CGRP, já estudadas para esse tipo de quadro.

A orientação, segundo a médica, é procurar avaliação especializada diante de crises compatíveis com a cefaleia em salvas, especialmente para evitar que o padrão se torne crônico. “As crises podem complicar e, em vez de vir em momentos espaçados, podem nunca mais passar”, alerta.