Odontologia

Prótese de disco na coluna pode preservar movimentos e reduzir desgaste em outras vértebras

Técnica substitui o disco intervertebral por um implante e é indicada em casos selecionados, principalmente no pescoço; especialistas reforçam que a escolha depende do quadro e do perfil do paciente.

Por Redação Brazil Health , 26/03/2026

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Prótese de disco na coluna pode preservar movimentos e reduzir desgaste em outras vértebras

Uma cirurgia que troca o disco intervertebral por uma prótese artificial tem sido usada como alternativa à fusão de vértebras em parte dos pacientes com hérnia de disco e doença degenerativa. A chamada artroplastia busca aliviar a dor sem eliminar totalmente o movimento do segmento operado, o que pode influenciar a evolução da coluna ao longo dos anos.

No procedimento tradicional, conhecido como artrodese, duas vértebras são fixadas para estabilizar a região e reduzir a dor. O efeito colateral esperado é a perda de mobilidade naquele ponto da coluna, o que pode aumentar a carga de trabalho sobre os níveis vizinhos.

Segundo o ortopedista e cirurgião de coluna André Evaristo Marcondes, o objetivo da prótese é tentar manter a mecânica mais próxima do natural. “Na fusão, o segmento operado deixa de se mover. Na artroplastia, substituímos o disco por um implante que permite preservar a mobilidade, o que pode diminuir a sobrecarga nas outras vértebras ao longo dos anos”, afirma.

Estudos citados em publicações científicas internacionais apontam que a artroplastia na coluna cervical, região do pescoço, tem mostrado bons desfechos em pacientes selecionados, com taxas de sucesso acima de 70% e melhora de dor e qualidade de vida. Revisões sistemáticas também sugerem menor risco de degeneração nos níveis adjacentes quando comparada à artrodese, uma vez que preservar movimento tende a reduzir o esforço em outras partes da coluna.

Quando a prótese costuma ser considerada

De acordo com o especialista, a artroplastia entra no radar principalmente quando há doença degenerativa do disco ou hérnia com compressão nervosa, associadas a dor persistente que não melhora após meses de tratamento clínico. Em geral, os melhores resultados são descritos em quadros com comprometimento de apenas um nível e sem deformidades relevantes.

Por que a indicação é mais comum no pescoço

A técnica é considerada mais consolidada na coluna cervical, onde os resultados são mais previsíveis. Já na coluna lombar, na região inferior das costas, a prótese pode ser utilizada, mas com critérios mais restritos. Fatores como artrose avançada, instabilidade, osteoporose ou comprometimento de múltiplos níveis podem tornar a fusão uma opção mais segura.

Decisão depende de avaliação individual

Marcondes ressalta que a escolha do procedimento deve ser personalizada. “A tecnologia evoluiu muito e hoje conseguimos oferecer opções mais individualizadas. Nem sempre a prótese é a melhor escolha, mas quando bem indicada, pode aliviar a dor preservando o movimento e reduzindo o risco de novos problemas no futuro”, diz.

Pesquisas recentes apontam tendência de maior uso da artroplastia na coluna cervical, enquanto a artrodese segue como procedimento mais comum na região lombar. Em todos os casos, a recomendação é que a indicação seja feita após avaliação detalhada do tipo de lesão e das condições gerais da coluna.