Odontologia

Neurocirurgia vascular ajuda a prevenir derrame e preservar funções do cérebro

Especialista explica como identificar e tratar problemas nos vasos do cérebro, reduzindo o risco de derrame e preservando memória, fala e movimentos.

Por Redação Brazil Health , 18/02/2026

3 min de leitura

Neurocirurgia vascular ajuda a prevenir derrame e preservar funções do cérebro

O cérebro trabalha sem descanso e depende de um fornecimento constante de sangue para receber oxigênio e glicose. “Isso significa que qualquer interrupção desse fluxo, mesmo por alguns segundos, já pode colocar em risco a integridade das células nervosas”, afirma o neurocirurgião vascular e professor da Faculdade de Medicina da UFMG, Baltazar Leão.

Segundo o médico, quando algo compromete essa circulação, o socorro rápido é decisivo para evitar sequelas. “É justamente nesse ponto que entra a importância da neurocirurgia vascular”, diz.

Quando o sangue não chega ao cérebro

O sangue que alimenta o cérebro chega principalmente pelas artérias carótidas, no pescoço. O acúmulo de placas de gordura nessas artérias pode estreitar o vaso, reduzir o fluxo e até provocar um entupimento completo — causa comum do AVC isquêmico (o derrame por falta de sangue).

Já o AVC hemorrágico ocorre quando uma artéria se rompe e causa sangramento dentro do crânio. Além de interromper a irrigação, o sangue acumulado comprime áreas delicadas do cérebro, agravando o quadro. Em ambos os tipos, minutos fazem diferença para preservar neurônios e funções como fala, memória e movimentos.

O que a especialidade trata

A neurocirurgia vascular é a área da neurocirurgia dedicada a diagnosticar e tratar doenças dos vasos do cérebro e da medula. Muitas vezes silenciosas por anos, essas condições podem aparecer em exames de rotina ou com sinais inespecíficos, como dor de cabeça persistente.

Entre os principais problemas acompanhados por essa especialidade estão:

  • Aneurismas cerebrais – dilatações nas artérias que podem se romper e causar hemorragia grave.
  • Malformações arteriovenosas (MAV) – conexões anormais entre artérias e veias, com risco de sangramento.
  • Cavernomas – pequenos “novos” de vasos anômalos que podem provocar convulsões e sangramentos recorrentes.
  • Estenose de carótida – estreitamento das carótidas por placas de gordura, que eleva o risco de AVC.
  • Fístulas arteriovenosas – comunicações anormais entre artérias e veias, às vezes após traumas ou tromboses.
  • Doença de Moya-Moya – estreitamento progressivo dos vasos cerebrais que pode exigir cirurgias de revascularização.

O tratamento pode ser feito por cirurgia aberta, técnicas endovasculares minimamente invasivas (como embolização) ou combinação de abordagens, conforme a localização e a complexidade de cada lesão.

Diagnóstico precoce e tratamento: o que esperar

A prioridade é garantir a chegada de sangue suficiente ao cérebro. “O objetivo do neurocirurgião vascular é garantir que o cérebro continue recebendo o sangue necessário para funcionar”, explica Leão. Isso envolve exames como angiotomografia e angiografia cerebral, capazes de mapear com precisão o sistema de vasos e orientar a melhor estratégia.

Em aneurismas, por exemplo, tratar antes da ruptura pode evitar um sangramento com risco de morte. “Em casos como aneurismas, por exemplo, o tratamento preventivo pode evitar uma ruptura com risco de morte”, afirma. Na estenose de carótida, a intervenção reduz de forma significativa a probabilidade de um derrame. Já nas malformações, uma abordagem planejada pode impedir novos sangramentos e preservar a qualidade de vida.

Para o neurocirurgião, cuidar da circulação cerebral é sinônimo de proteger quem a pessoa é. “Cuidar da circulação cerebral não é apenas tratar doenças – é proteger a memória, a coordenação, a fala e toda a capacidade cognitiva que nos torna quem somos.”