Odontologia

Cirurgias Cerebrais com o Paciente Acordado

Técnica permite interação durante a operação e ajuda a preservar fala, memória e movimentos

Por Redação Brazil Health , 06/01/2026

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Cirurgias Cerebrais com o Paciente Acordado

Uma técnica que mantém o paciente acordado durante a cirurgia no cérebro, conhecida como cirurgia desperta, vem ganhando espaço em hospitais. Ao conversar com a equipe, contar números ou mover braços e pernas durante a operação, o paciente ajuda a mapear em tempo real áreas essenciais e diminuir o risco de sequelas.

Como funciona na prática

O procedimento é planejado para que não haja dor no couro cabeludo e nos ossos da cabeça. O paciente recebe anestesia e permanece desperto na etapa mais crítica, quando realiza tarefas simples enquanto os médicos monitoram fala, memória e movimentos.

"O objetivo é simples e poderoso: preservar funções vitais como fala, memória e movimento durante a remoção de tumores ou outras lesões cerebrais", afirma o neurocirurgião Dr. Cesar Cimonari de Almeida.

"Essa interação funciona como um 'mapa vivo' do cérebro, aumentando a segurança do procedimento", acrescenta o médico.

Segundo o especialista, a técnica é indicada principalmente quando o tumor ou a lesão fica próximo a áreas responsáveis pela linguagem e pelo movimento, como em gliomas, e também em algumas cirurgias para epilepsia. Entre os ganhos apontados nos estudos:

  • remover uma quantidade maior de tumor com menor risco de sequelas;
  • reduzir complicações como perda de fala permanente, paralisia ou déficits cognitivos importantes.

Resultados e recuperação

Nos últimos anos, a cirurgia desperta se consolidou como um dos maiores avanços da neurocirurgia funcional e oncológica. Dados indicam maior preservação de funções cognitivas em comparação a técnicas tradicionais, além de recuperação mais rápida, alta em poucos dias e retorno precoce às atividades.

Experiência do paciente e próximos passos

"Embora pareça desafiador estar acordado em uma sala de cirurgia, a maioria dos pacientes relata sensação de confiança ao participar ativamente do procedimento", diz o especialista. Para isso, o trabalho de uma equipe multidisciplinar com neurocirurgiões, anestesiologistas, fonoaudiólogos e psicólogos prepara e tranquiliza o paciente antes e durante a operação.

O futuro aponta para a combinação da cirurgia desperta com tecnologias como realidade aumentada, navegação por imagens em tempo real e inteligência artificial, aumentando ainda mais a precisão. "Mais do que uma inovação tecnológica, trata-se de um marco no conceito de humanização da neurocirurgia: colocar o paciente no centro do cuidado, literalmente ajudando a salvar suas próprias funções vitais durante a cirurgia", conclui o Dr. Cesar Cimonari de Almeida.