Cirurgia para Parkinson ganha espaço quando remédios deixam de controlar os sintomas
Indicada para casos selecionados, a estimulação cerebral profunda ajuda a reduzir tremores e oscilações motoras, mas ainda esbarra em desinformação e dificuldade de acesso.
Por Redação Brazil Health , 04/07/2026
3 min de leitura
Para muitas pessoas com doença de Parkinson, os medicamentos controlam os sintomas por anos. Com a progressão do quadro, porém, parte dos pacientes passa a conviver com períodos de melhora e piora ao longo do dia, mesmo com o tratamento bem ajustado. Nesses casos, a neurocirurgia funcional pode entrar no radar como uma alternativa para recuperar autonomia.
O neurocirurgião Cesar Cimonari de Almeida explica que a cirurgia não é o primeiro passo do tratamento e tampouco é indicada para todos. “Ela costuma ser considerada quando os sintomas motores continuam incapacitantes apesar do tratamento medicamentoso otimizado ou quando as oscilações passam a atrapalhar de forma importante a rotina”, afirma.
A doença de Parkinson é um distúrbio neurológico progressivo que afeta o controle dos movimentos. Tremor, rigidez muscular, lentidão para se movimentar e alterações de equilíbrio estão entre os sinais mais conhecidos. Em geral, o tratamento começa com remédios que ajudam a compensar a redução de dopamina no cérebro.
Com o tempo, pode ocorrer instabilidade no efeito das medicações: há momentos em que o remédio controla bem os sintomas e outros em que eles retornam com força. Também podem surgir movimentos involuntários associados ao uso prolongado de alguns medicamentos.
Quando a cirurgia entra como opção
A decisão de operar depende de uma avaliação detalhada feita por equipe especializada. Entram nessa conta fatores como o tempo de evolução da doença, como foi a resposta prévia aos medicamentos, a presença de sintomas cognitivos e as condições gerais de saúde.
Para o especialista, a escolha cuidadosa do paciente é decisiva para o resultado. “A seleção adequada é um dos pontos mais importantes para o sucesso do tratamento”, destaca Cesar Cimonari de Almeida.
Como funciona a estimulação cerebral profunda
O procedimento mais utilizado atualmente é a estimulação cerebral profunda, conhecida como DBS (sigla em inglês para Deep Brain Stimulation). A técnica implanta eletrodos finos em áreas específicas do cérebro ligadas ao controle dos movimentos.
Esses eletrodos são conectados a um gerador colocado sob a pele, semelhante a um marcapasso. O aparelho envia estímulos elétricos controlados para ajudar a regular a atividade dessas regiões.
Estudos apontam que, em pacientes bem selecionados, a DBS pode reduzir tremores, melhorar a rigidez e diminuir oscilações motoras. Em muitos casos, também permite reduzir a dose de medicamentos.
Apesar dos benefícios, há um ponto central: a cirurgia não cura a doença. “O objetivo é melhorar os sintomas motores e dar mais autonomia, mas o Parkinson continua sendo uma condição progressiva”, reforça o médico.
Desinformação e acesso limitado ainda são barreiras
Mesmo com resultados positivos, a cirurgia para Parkinson ainda enfrenta preconceito e desconhecimento. Muitas famílias não sabem que existe essa possibilidade ou acreditam que se trata de uma intervenção excessivamente arriscada.
Outro entrave é a disponibilidade. A neurocirurgia funcional exige centros especializados, equipe multidisciplinar e tecnologia avançada, o que reduz a oferta em diversas regiões.
Nesse cenário, especialistas defendem que a decisão sobre o tratamento seja individualizada e discutida com uma equipe experiente, especialmente quando as limitações começam a impactar de forma relevante a vida diária.
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