Mastologia

Pesquisa aponta que 2 em cada 3 brasileiros adiam exames e elevam risco de doença nos rins

Levantamento com 2.000 pessoas mostra medo do diagnóstico, custo e falta de tempo como principais barreiras; hipertensão, sedentarismo e baixa hidratação aparecem com frequência.

Por Redação Brazil Health , 01/04/2026

3 min de leitura

Pesquisa aponta que 2 em cada 3 brasileiros adiam exames e elevam risco de doença nos rins

Um levantamento nacional encomendado pela Vantive Brasil indica que a prevenção de problemas renais ainda fica em segundo plano na rotina dos brasileiros, apesar da presença de fatores de risco comuns, como hipertensão, sedentarismo e hidratação insuficiente. A pesquisa ouviu 2.000 pessoas em todas as regiões do país e buscou medir conhecimento e hábitos ligados à saúde dos rins.

De acordo com os dados, 67,7% dos entrevistados dizem que costumam adiar exames de rotina. Além disso, 53,3% afirmam não se hidratar como consideram adequado e 39,1% se declaram sedentários, um conjunto de comportamentos associado a maior vulnerabilidade para doenças crônicas, incluindo as que afetam os rins.

O estudo também aponta que o medo pode travar a busca por avaliação médica. Ao falar sobre preocupações com a própria saúde, 60,6% relataram receio de descobrir um problema grave, percentual superior ao de quem teme não ter dinheiro para tratar uma doença (50,5%).

“Na saúde renal, isso é especialmente preocupante porque as doenças dos rins podem evoluir de forma silenciosa. O desafio é transformar medo em ação, informação em decisão e prevenção em hábito”, afirma a médica Arcângela Valle, gerente médica sênior da Vantive Latam.

Fatores de risco são comuns e muitas vezes passam despercebidos

Entre as condições de saúde relatadas pelos entrevistados, 26,5% disseram ter hipertensão arterial e 25,3% relataram histórico de infecção urinária. Já 7,7% afirmaram ter ou ter tido doença renal ou “problemas nos rins”.

O histórico familiar, que aumenta a atenção para rastreio, também aparece com peso: 15,7% informaram casos de doença renal na família e 54,9% mencionaram hipertensão em parentes.

“Hipertensão, diabetes, sedentarismo e histórico familiar são fatores que aumentam a vulnerabilidade dos rins, muitas vezes sem causar sintomas nas fases iniciais”, diz Valle. Segundo ela, depender apenas da sensação de estar bem pode atrasar o diagnóstico.

Sedentarismo e baixa percepção de risco dificultam a prevenção

A pesquisa encontrou diferenças entre pessoas sedentárias e praticantes de atividade física. Entre sedentários, 8,8% relataram doença renal, contra 5,4% entre os que se exercitam. No mesmo grupo sedentário, foram observadas maiores frequências autorreferidas de hipertensão (30% versus 19,7%), diabetes (17,1% versus 13,3%) e problemas de circulação (11,3% versus 7,5%).

Mesmo com esse cenário, a percepção de risco é baixa: 37,2% consideram a chance de desenvolver doença renal baixa ou muito baixa, enquanto 15,4% avaliam risco alto ou muito alto. Outros 20,3% dizem não saber estimar a própria probabilidade.

Custo, tempo e acesso pesam na decisão de fazer check-up

Entre os motivos para não realizar exames preventivos com mais frequência, os mais citados foram custo ou falta de dinheiro (31,9%) e falta de tempo (28,3%). Também apareceu a crença de não ser necessário por se sentir saudável (14,4%).

O impacto financeiro aumenta com a idade: o custo foi mencionado por 43% das pessoas de 55 a 64 anos e por 56,3% dos entrevistados com mais de 65. No recorte regional, o Norte se destacou por maior dificuldade de acesso a clínicas e laboratórios (20,8%), acima da média nacional (6,6%).

O estudo foi realizado online pela Brazil Panels em março de 2026, com margem de erro de 2,2 pontos percentuais e 95% de nível de confiança.