Menstruação

Como Falar Sobre Menstruação Com Filhas e Adolescentes de Forma Natural e Sem Tabus

Menstruação sem tabu: orientações para mães e responsáveis falarem sobre o corpo com filhas e adolescentesEspecialista explica como abordar o tema da menstruação de forma aberta e acolhedora, garantindo informação e autoestima às meninas

Por Redação Brazil Health , 11/08/2025

3 min de leitura

Como Falar Sobre Menstruação Com Filhas e Adolescentes de Forma Natural e Sem Tabus

Menstruação sem tabu: orientações para mães e responsáveis falarem sobre o corpo com filhas e adolescentes

Especialista explica como abordar o tema da menstruação de forma aberta e acolhedora, garantindo informação e autoestima às meninas

A chegada da menstruação é um marco no desenvolvimento das meninas, mas ainda é cercada por tabus e mal-entendidos que podem afetar a autoestima e o bem-estar das adolescentes. Para a ginecologista Loreta Canivilo, o diálogo aberto e antecipado dentro de casa é fundamental para tornar a experiência da menarca, a primeira menstruação, mais tranquila.

Segundo a médica, o ideal é iniciar a conversa sobre o ciclo menstrual durante a infância, de maneira leve e conforme o entendimento da criança. "O momento certo varia, mas orienta-se começar por volta dos oito ou nove anos, observando os sinais do corpo e a maturidade da menina", afirma Loreta Canivilo. Ela reforça que antecipar informações evita que o início do ciclo seja vivido sob medo ou vergonha.

Sinais e informações essenciais

Mudanças como o aumento das mamas, surgimento de pelos pubianos, alterações de humor e corrimento vaginal transparente são indicativos de que a menarca pode estar próxima. A média de idade para a primeira menstruação fica entre 10 e 14 anos, mas é importante respeitar o tempo individual.

Entender como funciona o ciclo menstrual é outro ponto chave. "O ciclo começa no primeiro dia da menstruação e se encerra um dia antes do próximo sangramento. Embora a média seja de 28 dias, pode variar entre 21 e 35 dias. Essas variações são normais, assim como as respostas do corpo a cada etapa", explica a ginecologista.

Acolhimento prático e emocional

Preparar as adolescentes com orientações práticas também faz parte do processo. Loreta sugere montar um kit de primeiros cuidados com diferentes modelos de absorventes, calcinhas confortáveis e explicações sobre higiene íntima.

  • ensinar a colocar e trocar o absorvente centralizado na calcinha, a cada três ou quatro horas, ou sempre que necessário
  • reforçar que pedir absorvente ou carregar itens de higiene não é motivo de constrangimento
  • estimular conversas sobre possíveis sintomas, como cólicas e mudanças de humor

"Menstruar pode causar desconfortos físicos, irritação ou inchaço, e isso deve ser tratado com naturalidade. O importante é garantir que as adolescentes se sintam à vontade para conversar", pontua a médica.

Quebrando preconceitos e envolvendo a família

Além de informações biológicas, a educação deve abranger aspectos emocionais e sociais. Frases que perpetuam preconceitos, como "isso é coisa de mulher", devem ser evitadas, recomenda Loreta. "Devemos adotar uma abordagem natural e inclusiva, para não alimentar sentimentos de vergonha."

A participação de pais, irmãos e toda a família é essencial para fortalecer o suporte emocional e desmitificar o tema. Para a ginecologista, envolver todos contribui para uma sociedade que acolhe a saúde feminina e combate o machismo estrutural. "Quando todos se informam e acolhem, ajudamos as meninas a viverem essa fase com mais liberdade e segurança", conclui.