Menopausa

Menopausa antes dos 40 eleva risco de doenças do coração, indicam estudos

Especialistas alertam para diagnóstico difícil e defendem acompanhamento médico e reposição hormonal quando indicada

Por Redação Brazil Health , 21/01/2026

3 min de leitura

Menopausa antes dos 40 eleva risco de doenças do coração, indicam estudos

Mulheres que entram na menopausa antes dos 40 anos têm risco até 50% maior de desenvolver doenças cardiovasculares em comparação às que passam pela transição após os 50, aponta uma meta-análise publicada na revista Human Reproduction Update. O achado reforça a necessidade de atenção precoce a uma condição frequentemente silenciosa e ainda pouco reconhecida.

A menopausa precoce costuma ocorrer entre 40 e 45 anos, enquanto a menopausa prematura – também chamada de insuficiência ovariana prematura – acontece antes dos 40. Segundo a Empresa Brasileira de Serviços Hospitalares (Ebserh), a condição atinge um contingente relevante de brasileiras, o que demanda respostas de saúde pública.

Risco cardiovascular e outros impactos

“Quanto mais cedo a mulher entra na menopausa, maiores devem ser os cuidados com a saúde, já que o declínio hormonal aumenta o risco de doenças cardiovasculares, osteoporose e declínio cognitivo”, afirma a ginecologista Ana Maria Passos, especialista em saúde da mulher. A queda dos níveis de estrogênio está associada a alterações metabólicas e vasculares que podem antecipar problemas crônicos.

Embora os sintomas sejam semelhantes aos da menopausa natural – como ondas de calor, insônia, alterações de humor e secura vaginal –, a antecipação do quadro aumenta o tempo de exposição a riscos. A literatura científica aponta, além do impacto cardiovascular, maior probabilidade de perda de massa óssea e efeitos sobre memória e concentração.

A meta-análise citada reuniu estudos internacionais e encontrou associação consistente entre menopausa antes dos 40 anos e eventos cardiovasculares, como infarto e acidente vascular cerebral. O resultado não estabelece causa direta, mas indica um fator de risco relevante que deve orientar o cuidado clínico e o rastreamento.

Diagnóstico e cuidado contínuo

As causas podem estar ligadas à genética e a fatores externos – como quimioterapia, radioterapia e endometriose. Além da perda de fertilidade, que pode surpreender mulheres ainda em idade reprodutiva, o diagnóstico nem sempre é imediato. “Por ocorrer em pacientes jovens, é comum confundir com outras condições, como gravidez ou alterações da tireoide. A confirmação vem com a dosagem do FSH e do estradiol”, explica Passos.

O tratamento inclui reposição hormonal, quando indicada, com objetivo de proteção cardiovascular, óssea e cerebral, além de medidas de estilo de vida e, quando necessário, suplementação. A decisão deve ser individualizada, considerando histórico clínico e fatores de risco. “A mulher que entra na menopausa prematuramente precisa de acompanhamento médico contínuo. Não tem como congelar o tempo, mas é possível preservar a saúde e a qualidade de vida”, diz a ginecologista.

Tema de saúde pública

Especialistas defendem que a identificação precoce e a informação acessível às mulheres sejam prioridades na atenção primária. Orientar sobre sinais de alerta, opções de tratamento e prevenção de complicações pode reduzir impactos a longo prazo e melhorar a qualidade de vida.

Para as pacientes, recomenda-se buscar avaliação médica diante de irregularidade menstrual persistente, sintomas vasomotores intensos ou histórico familiar de menopausa antecipada. A vigilância regular de pressão arterial, colesterol, saúde óssea e bem-estar mental é parte do cuidado contínuo em todas as fases da vida reprodutiva e após a menopausa.