Medula Óssea

Doação de medula óssea: mitos, como doar e quem pode se cadastrar

Campanha nacional busca ampliar o REDOME e derrubar receios que impedem doações

Por Redação Brazil Health , 09/12/2025

3 min de leitura

Doação de medula óssea: mitos, como doar e quem pode se cadastrar

Entre 14 e 21 de dezembro, o país realiza a Semana de Mobilização para Doação de Medula Óssea, com ações para informar e estimular novos cadastros. O transplante pode ser a única chance de cura para pessoas com cânceres do sangue, como leucemia, linfoma e mieloma, e doenças como a anemia falciforme.

A hematologista Camila Gonzaga, do Instituto de Oncologia de Sorocaba (IOS), esclarece dúvidas comuns e reforça que a doação é segura e bem-organizada no Registro Nacional de Doadores de Medula Óssea (REDOME). “Cada cadastro importa para aumentar as chances de quem espera um doador compatível”, diz.

Não precisa ser da família

É mito que só familiares podem doar. A compatibilidade é verificada por um exame específico e o doador pode ser um voluntário do REDOME. “A doação pode vir de qualquer pessoa compatível, no Brasil ou em bancos internacionais”, afirma Gonzaga.

Quem pode se cadastrar

A faixa etária ideal é de 18 a 35 anos, pois as células tendem a ter melhor qualidade. No cadastro de voluntários, o limite prático é 60 anos para permanecer no REDOME. Em doações entre parentes, pessoas de 60 a 70 anos podem ser avaliadas, se estiverem saudáveis.

Como é a doação e a recuperação

Hoje há dois métodos. Na punção direta da medula, o procedimento dura cerca de 90 minutos, sob anestesia geral. Pode haver desconforto leve nos dias seguintes. Na aférese, mais comum, o doador toma por poucos dias uma medicação que estimula a liberação de células, e o sangue passa por uma máquina que separa esse material.

“O procedimento em si é indolor, exceto pela picada da agulha”, explica a médica. Na punção direta, a internação costuma ser de 24 horas, com possível afastamento de até uma semana em trabalhos físicos intensos. Na aférese, o processo dura de 3 a 4 horas e o retorno às atividades é geralmente no dia seguinte.

Doar não enfraquece o organismo. “Em poucas semanas, a medula do doador está totalmente recuperada”, reforça Gonzaga. Na punção, retira-se apenas uma pequena fração; na aférese, a medula nem é tocada, pois as células são coletadas do sangue.

A chance de um voluntário ser chamado é baixa, de 1 em 100 mil a 1 em 400 mil, porque a compatibilidade é muito específica. “É por isso que ampliar o número de cadastrados é tão importante para salvar vidas”, diz a hematologista.

Veja como funciona o processo:

  • Cadastro e coleta de amostra: o voluntário procura um banco de sangue/hemocentro, preenche a ficha e doa uma pequena amostra de sangue.
  • Análise e registro: a amostra passa por exame de compatibilidade e o cadastro entra no REDOME.
  • Busca por compatibilidade: o sistema compara doadores e pacientes à espera.
  • Coleta: confirmada a compatibilidade, define-se o método mais adequado para o doador e o paciente.
  • Transplante: o material é infundido no paciente por via intravenosa.

Quem deseja se cadastrar deve estar em boas condições de saúde. Em caso de chamada, a decisão é sempre compartilhada com o doador, com equipe especializada acompanhando cada etapa.