Medicina

APM alerta para oferta irregular de Medicina a distância na Bolívia

Entidade afirma que modelo com poucas atividades presenciais contraria exigências legais e pode impedir revalidação de diplomas no Brasil

Por Redação Brazil Health , 17/01/2026

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APM alerta para oferta irregular de Medicina a distância na Bolívia

A Associação Paulista de Medicina (APM) emitiu alerta sobre a oferta de cursos de graduação em Medicina na Bolívia no formato a distância, com apenas duas etapas presenciais por ano, de duas semanas cada. Segundo a entidade, o modelo desrespeita princípios básicos da formação médica e pode comprometer a qualidade da assistência à população.

Oferta mira profissionais de outras áreas

De acordo com a APM, a divulgação desses cursos tem como alvo pessoas já inseridas no mercado de trabalho, com a promessa de conciliar a carreira atual com a graduação em Medicina. Para a entidade, a proposta é incompatível com a carga horária extensa, a prática clínica contínua e o contato regular com pacientes e equipes de saúde exigidos para a formação adequada.

“A formação médica de qualidade exige prática constante, contato direto com o paciente e dedicação integral”, afirma Antonio José Gonçalves, presidente da APM e professor titular da Faculdade de Ciências Médicas da Santa Casa de São Paulo.

Legislação no Brasil e na Bolívia

A APM ressalta que a legislação brasileira proíbe cursos de Medicina fora do regime presencial – conforme o artigo 8º do Decreto nº 12.456/2025. A entidade também afirma que a legislação boliviana não reconhece cursos de Medicina nas modalidades a distância, semipresencial ou virtual, o que pode inviabilizar o registro profissional no país de origem.

No caso de egressos que pretendem atuar no Brasil, o cenário pode impedir a participação no Revalida (Exame Nacional de Revalidação de Diplomas Médicos), etapa obrigatória para validar diplomas obtidos no exterior.

Risco de burla na revalidação

A APM diz acompanhar relatos de redes sociais que prometem diplomas sem menção à modalidade semipresencial, com o objetivo de facilitar a revalidação no Brasil. Para a entidade, trata-se de tentativa de burlar o sistema, com riscos diretos para a segurança do paciente e para a qualidade do atendimento.

Ao reforçar que a formação médica exige dedicação integral e prática supervisionada, a APM orienta candidatos a verificar a legalidade e a estrutura pedagógica de qualquer curso antes da matrícula, especialmente quando ofertado no exterior em formatos não presenciais.