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Milhões morrem com dor evitável por falta de cuidados paliativos, alertam especialistas

Dados da OMS indicam que a maioria das pessoas que precisa de cuidados para aliviar sofrimento no fim da vida não recebe atendimento adequado; desigualdade no acesso e tabus dificultam o tratamento.

Por Redação Brazil Health , 13/04/2026

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Milhões morrem com dor evitável por falta de cuidados paliativos, alertam especialistas

Mesmo com avanços da medicina, milhões de pessoas ainda chegam ao fim da vida com dor intensa que poderia ser controlada. Estimativas da Organização Mundial da Saúde (OMS) e da Worldwide Hospice Palliative Care Alliance apontam que mais de 56 milhões de pessoas necessitam de cuidados paliativos todos os anos, mas apenas uma parcela recebe esse tipo de acompanhamento.

O problema é ainda mais grave quando se trata de alívio da dor: cerca de 18 milhões morrem anualmente sem acesso a intervenções eficazes para reduzir o sofrimento, segundo os mesmos levantamentos.

Para a médica Samanta Gaertner Mariani, especialista em cuidados paliativos, o cenário não se explica por falta de conhecimento técnico. “Estamos diante de uma contradição: temos conhecimento e recursos para aliviar a dor, mas ainda falhamos em garantir que esse cuidado chegue a quem precisa, no momento certo”, afirma.

Desigualdade no acesso e medo de medicamentos

Além de ampliar o sofrimento, a dor não controlada pode piorar a evolução clínica e influenciar negativamente o prognóstico, segundo a especialista. Um dos entraves, diz ela, está nas regras e nos receios em torno de analgésicos fortes, especialmente opioides, que acabam dificultando a prescrição mesmo quando há indicação médica.

Esse paradoxo aparece de formas diferentes ao redor do mundo: enquanto alguns países lidam com problemas relacionados ao uso excessivo dessas substâncias, outros enfrentam falta de acesso a medicamentos considerados básicos para controle da dor. Na avaliação de Mariani, políticas para evitar abuso são necessárias, mas precisam caminhar junto com garantia de acesso quando a prescrição é adequada e feita por profissionais capacitados.

Tabu sobre morte atrasa o cuidado

Outro obstáculo é a visão equivocada de que cuidados paliativos significam “desistir” do tratamento. Essa interpretação tende a atrasar encaminhamentos e reduz o impacto que a abordagem pode ter na qualidade de vida do paciente e da família.

Mariani ressalta que a dor não se limita ao aspecto físico. “A dor afeta o emocional, compromete relações familiares e pode gerar sofrimento psicológico profundo. Quando não tratamos a dor, estamos negligenciando o ser humano em sua totalidade”, diz.

Demanda deve crescer com envelhecimento

Com o envelhecimento da população e o aumento de doenças crônicas, a demanda por cuidados paliativos deve crescer nas próximas décadas. Para a especialista, garantir que ninguém sofra desnecessariamente no fim da vida é uma responsabilidade compartilhada entre sistemas de saúde, profissionais e sociedade.

“Aliviar a dor não é apenas uma possibilidade da medicina moderna, é uma obrigação ética. Quando isso não acontece, não falhamos como ciência, falhamos como sociedade”, conclui Mariani.