Medicina Diagnóstica

SBPC ML Alerta para Equidade nos Testes Laboratoriais e Saúde da População Negra

Por Redação Brazil Health , 15/06/2026

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SBPC ML Alerta para Equidade nos Testes Laboratoriais e Saúde da População Negra

No Dia Nacional de Mobilização Pró-Saúde da População Negra, celebrado em 27 de outubro, a Sociedade Brasileira de Patologia Clínica/Medicina Laboratorial (SBPC/ML) reforça a urgência de tornar os exames de laboratório mais justos e representativos.

“O Brasil é altamente miscigenado e a cor da pele não traduz herança genética”, afirma a médica patologista clínica Luisane Vieira, membro da SBPC/ML. Para ela, diferenças nos resultados costumam refletir determinantes sociais, ambientais e alimentares, e não uma suposta base biológica ligada à raça.

Sem “raça” nos resultados dos exames

Um marco recente desse ajuste foi a atualização, em 2021, da fórmula usada para estimar a função dos rins. Antes, pessoas classificadas como negras recebiam um cálculo diferente; a nova conta retirou o fator “raça”, reduzindo vieses no diagnóstico.

“A mudança melhora a precisão e reconhece que variações de massa muscular não justificam categorias raciais fixas no laudo”, explica Vieira. A avaliação é feita a partir da creatinina no sangue, e o uso de critérios inadequados pode atrasar diagnóstico ou tratamento.

Para a especialista, a discussão também passa por clarear conceitos: raça é construção social baseada em aparência; etnia envolve cultura e história compartilhadas; ancestralidade se refere a heranças genéticas. “Misturar esses termos leva a erros na prática clínica”, alerta.

Parâmetros feitos lá fora, pacientes daqui

A SBPC/ML chama atenção para outro ponto: muitos intervalos de referência adotados no país vêm de estudos estrangeiros e nem sempre são validados na população brasileira. Isso abre espaço para interpretações equivocadas e desigualdade diagnóstica.

“Precisamos de dados locais e amostras que representem a nossa diversidade”, diz Vieira. Segundo ela, validar referências no Brasil é passo decisivo para garantir segurança e equidade nos resultados.

Cuidado centrado na pessoa e políticas públicas

A Norma PALC 2025, da SBPC/ML, introduz a Medicina Laboratorial Centrada na Pessoa e exige dos laboratórios postura ativa em diversidade, equidade e inclusão, do desenho dos processos à comunicação dos laudos.

A entidade também incentiva a colaboração com o Conselho Federal de Medicina e o Ministério da Saúde para revisar parâmetros laboratoriais previstos na Política Nacional de Saúde Integral da População Negra.

“Equidade nos exames não é só uma questão técnica; é um compromisso ético com a representatividade e com o cuidado centrado na pessoa”, conclui Vieira.

Ao pautar essas mudanças, a SBPC/ML busca aproximar a medicina diagnóstica da realidade brasileira e reduzir lacunas que afetam, sobretudo, a população negra.