Medicamentos

Mistura de remédios pode matar: alerta após a morte de Lô Borges

Especialistas avisam: combinar remédios, suplementos e chás sem orientação pode sobrecarregar órgãos vitais e causar intoxicação. Entenda os riscos e como se proteger.

Por Redação Brazil Health , 05/11/2025

3 min de leitura

Mistura de remédios pode matar: alerta após a morte de Lô Borges

A morte do cantor e compositor Lô Borges, 73, reacendeu o debate sobre os perigos de misturar medicamentos. O músico mineiro, ícone do Clube da Esquina, foi internado por intoxicação medicamentosa e morreu por falência múltipla de órgãos, episódio que expõe um problema silencioso e comum: a combinação de remédios sem acompanhamento.

“O que muita gente chama de ‘excesso de remédio’ muitas vezes é, na verdade, uma interação medicamentosa, quando uma substância altera o efeito da outra no organismo”, explica o farmacêutico clínico e homeopata Jamar Tejada. “Essa combinação pode anular a ação de um medicamento, potencializar efeitos colaterais ou gerar intoxicações graves.”

Quando a combinação vira risco

O corpo funciona como uma usina bioquímica, e diferentes remédios podem disputar as mesmas enzimas no fígado e nos rins. “Antidepressivos, anti-inflamatórios, remédios para pressão ou para dormir podem sobrecarregar esses órgãos e, em casos extremos, levar à falência”, alerta Tejada.

Idosos, pessoas com doenças crônicas e quem usa várias medicações ao mesmo tempo são os mais vulneráveis. “É um público que precisa de vigilância redobrada. Muitas vezes o médico não sabe tudo o que o paciente está tomando. Por isso, o acompanhamento farmacêutico é essencial”, acrescenta.

Automedicação e ‘remédios naturais’

No Brasil, 77% da população admite tomar remédios por conta própria, segundo a Associação Brasileira das Indústrias Farmacêuticas. A prática inclui anti-inflamatórios, relaxantes, vitaminas, chás e fitoterápicos — combinação que pode ser perigosa. “O fato de algo ser natural não o torna inofensivo”, diz Tejada. “Até a homeopatia deve ser usada com orientação. A diferença entre o remédio e o veneno está na dose e na consciência de quem usa.”

Suplementos e produtos herbais também interagem com fármacos de uso contínuo, alterando absorção e eliminação. Em quem tem problemas no fígado ou nos rins, o risco cresce ainda mais.

Como usar com segurança

Com experiência de mais de 25 anos, Tejada defende uma atuação integrada entre médico e farmacêutico. “A função do farmacêutico clínico é revisar o histórico do paciente, mapear interações e, junto ao médico, ajustar o tratamento. É uma parceria que salva vidas”, afirma.

  • Mantenha uma lista atualizada de todos os remédios, suplementos e chás que usa e mostre ao seu médico e farmacêutico.
  • Não inicie, interrompa ou troque doses por conta própria; evite álcool enquanto estiver medicado.
  • Leia a bula e observe sinais como sonolência excessiva, náusea, confusão, icterícia e inchaço.
  • Se faz uso prolongado, converse sobre exames para avaliar fígado e rins.
  • Em caso de dúvida ou reação, busque atendimento imediatamente.

Para o especialista, a comoção com Lô Borges precisa virar aprendizado coletivo. “Tomar remédio não é um ato simples. Cada organismo reage de um jeito. O corpo fala — e, muitas vezes, a mistura de medicamentos o faz gritar”, conclui.