Medicamentos

7 Mitos e Verdades Sobre o Descarte Correto de Medicamentos e os Impactos Ambientais

Falsas informações sobre o destino de medicamentos podem prejudicar meio ambiente e saúde pública.

Por Redação Brazil Health , 19/10/2025

3 min de leitura

7 Mitos e Verdades Sobre o Descarte Correto de Medicamentos e os Impactos Ambientais

Com mais de 162 bilhões de doses vendidas anualmente, o Brasil está entre os países que mais consomem remédios no mundo. Por isso, o descarte correto desses produtos tornou-se uma responsabilidade de todos para evitar riscos à saúde e ao meio ambiente. Apesar disso, muitos mitos ainda confundem a população na hora de jogar fora medicamentos vencidos ou em desuso.

Como descartar remédios?

Jogar medicamentos na privada ou na pia pode parecer uma solução prática, mas é perigoso. "As estações de tratamento não removem todos os compostos dos remédios, que acabam alcançando rios, lagos e até reabastecendo a água que usamos", alerta Guilherme Teitge, professor de Biologia do Colégio Positivo. Estudos internacionais mostram que o impacto dessas substâncias é global, ameaçando animais aquáticos e contribuindo para poluição duradoura.

A infectologista Camila Ahrens, do Hospital São Marcelino Champagnat, alerta que resíduos de medicamentos na água podem voltar para a população, aumentando riscos como desequilíbrios hormonais e toxicidade a longo prazo. E o perigo não para por aí: antibióticos descartados de forma errada favorecem o surgimento das "superbactérias". "O problema é coletivo. Infecções que hoje são facilmente tratáveis podem voltar a ser perigosas", afirma Camila.

E plantas medicinais? E as embalagens?

Remédios naturais ou fitoterápicos também devem ser descartados de forma adequada. "Mesmo plantas como o boldo e a erva-cidreira podem conter compostos que persistem no ambiente e prejudicam organismos vivos", explica Teitge. O mesmo vale para embalagens: blisters, frascos e caixas retêm resíduos que contaminam solo e água, especialmente quando vão para o lixo comum. O farmacêutico Danilo Pinheiro Stahelin destaca que alumínio e plástico presentes nos blisters dificultam a reciclagem e aumentam riscos ambientais.

Doar medicamentos: pode ou não?

A ideia de doar medicamentos dentro do prazo de validade pode parecer solidária, mas carrega perigos. Remédios guardados fora das condições ideais podem perder eficácia ou até se tornar tóxicos. Além disso, a automedicação é um risco extra. "A doação só deve ocorrer via programas oficiais, como farmácias solidárias ou unidades de saúde autorizadas. Fora desses canais, o gesto pode virar um problema sério", alerta Camila Ahrens.

Outra crença comum é que o problema do descarte é apenas responsabilidade do governo ou da indústria. Mas para os especialistas, a logística reversa depende também do cidadão, começando por atitudes dentro de casa.

Dicas para descartar medicamentos corretamente

  • Separe medicamentos vencidos ou não utilizados e leve até um ponto de coleta autorizado em farmácias ou postos de saúde.
  • Mantenha as embalagens fechadas e fora do alcance de crianças e animais até o descarte.
  • Leia a bula e as embalagens, que podem trazer orientações específicas sobre o descarte.
  • Converse com amigos, vizinhos e familiares sobre o tema para evitar práticas erradas.

Descarte correto de medicamentos depende da responsabilidade de todos. Informação é o primeiro passo para proteger o meio ambiente e a saúde coletiva.