Gastroenterologia

Mamografia pode indicar risco maior de doenças do coração, apontam estudos

Pesquisa observou que sinais de cálcio em artérias da mama vistos no exame se relacionam a mais chance de infarto e AVC; achado não substitui avaliação clínica, mas pode orientar investigação.

Por Redação Brazil Health , 24/03/2026

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Mamografia pode indicar risco maior de doenças do coração, apontam estudos

A mamografia, exame conhecido por ajudar a detectar precocemente o câncer de mama, também pode trazer pistas sobre o risco de doenças cardiovasculares em algumas mulheres. O alerta ganhou força após um estudo apresentado pela European Society of Cardiology, que analisou mais de 123 mil mulheres sem diagnóstico prévio de doença do coração e associou a presença de depósitos de cálcio em artérias da mama a maior risco de infarto, insuficiência cardíaca, AVC e morte.

Para a radiologista Vivian Milani, especialista em mamas da Fundação Instituto de Pesquisa e Estudo de Diagnóstico por Imagem (FIDI), o achado pode ser útil como sinal de atenção. “Além de seu papel no diagnóstico precoce do câncer de mama, pesquisas apontam que a mamografia também pode revelar calcificações arteriais mamárias, achado associado em estudos a maior risco cardiovascular e que pode contribuir para o encaminhamento precoce dessas mulheres para investigação clínica complementar”, afirma.

O que pode aparecer no exame e por que isso importa

As chamadas calcificações arteriais mamárias são achados que podem ser vistos na mamografia e, segundo estudos, podem funcionar como marcador indireto de risco cardiovascular. Especialistas reforçam, porém, que a presença dessas calcificações não fecha diagnóstico de doença do coração e não substitui exames e consulta médica; ela pode, em alguns casos, justificar uma investigação mais detalhada, sobretudo quando há outros fatores de risco, como hipertensão, diabetes, tabagismo, colesterol alto ou histórico familiar.

Mulheres fazem a maioria dos exames por imagem

Dados da FIDI indicam que, dos 4,8 milhões de exames por imagem realizados em 2025, 60,3% foram feitos por pacientes mulheres. O número absoluto de mulheres atendidas cresceu 8,2% em relação ao ano anterior, o que representa mais de 184 mil novas pacientes em um ano.

O levantamento da instituição (2019 a 2026) também sugere que a maior parte das pacientes está na faixa adulta: 7,8 milhões, ante 4,9 milhões no grupo idoso. A leitura é que exames de rotina e de acompanhamento tendem a ser mais frequentes em mulheres em idade produtiva e na transição para a terceira idade, inclusive por demandas relacionadas a prevenção, trabalho e gestação.

Sintomas podem ser diferentes e o diagnóstico, mais tardio

Embora o uso da mamografia para estimar risco cardiovascular ainda seja tema de debate, a vigilância é considerada importante porque doenças do coração seguem subdiagnosticadas em mulheres. Isso ocorre, em parte, porque os sinais podem ser discretos ou se manifestar de forma diferente do padrão mais conhecido em homens.

“Quando falamos em saúde da mulher, é essencial olhar para ela de forma integral. Muitas doenças cardiovasculares evoluem silenciosamente, e a identificação precoce pode fazer toda a diferença no prognóstico e na qualidade de vida da paciente”, afirma Milani.

Além da mamografia, exames comuns como o raio-X de tórax – que, segundo a FIDI, supera 2 milhões de procedimentos realizados por mulheres – podem apontar sinais indiretos de alterações mais avançadas, como aumento do coração e congestão pulmonar, geralmente em cenários já sintomáticos. Especialistas ressaltam, no entanto, que a avaliação do risco e a definição de condutas devem ser feitas pelo médico, a partir do conjunto de exames, histórico e sintomas.