Livro

Das pragas antigas à Covid-19: livro revela como as epidemias moldaram a humanidade

Obra do infectologista Eduardo Toffoli Pandini resgata a história das infecções e destaca o papel da ciência para enfrentar novas crises sanitárias.

Por Redação Brazil Health , 14/11/2025

3 min de leitura

Das pragas antigas à Covid-19: livro revela como as epidemias moldaram a humanidade

Em um momento de desinformação e desconfiança, entender como a humanidade encarou surtos e pandemias ao longo dos séculos é vital. É essa a proposta de De miasmas a vacinas – Uma história das doenças infecciosas, novo livro do médico infectologista Eduardo Toffoli Pandini.

Primeiro volume de uma trilogia, a obra percorre a trajetória do pensamento científico, da antiga ideia dos “ares impuros” à consolidação da teoria microbiana, mostrando como a ciência mudou nossa relação com as doenças.

Da teoria do miasma aos micróbios

Pandini explica como crenças sobre causas ambientais das infecções cederam espaço à identificação de agentes invisíveis, como bactérias e vírus. A virada conceitual redefiniu estratégias de prevenção e salvou milhões de vidas.

Formado em Medicina pela UFES e especializado em Infectologia no Instituto Emílio Ribas, o autor combina rigor técnico e narrativa acessível para revelar como epidemias moldaram economia, cultura, religião e até a genética humana.

Epidemias que mudaram o mundo

O livro revisita marcos como a Revolução Neolítica e as Grandes Navegações, além de pandemias devastadoras, entre elas a Peste Negra. Aborda também o impacto das doenças levadas pelos europeus às Américas e discute sífilis e tifo.

Nas primeiras páginas, Pandini percorre a origem da vida e a evolução dos microrganismos, mostrando como a convivência com patógenos impulsionou o sistema imunológico e transformou a história humana.

O autor dedica espaço a episódios como a Revolta da Vacina, no Rio de Janeiro, e analisa por que a resistência à ciência envolve fatores políticos, sociais e culturais — e não se resume a ignorância.

Mais que uma viagem ao passado, a obra defende que crises sanitárias pedem diálogo, confiança e políticas públicas baseadas em evidências. Epidemias, lembra o autor, foram tão determinantes quanto guerras na construção das sociedades.

Uma trilogia para entender o ontem e o amanhã

Este primeiro volume cobre eventos até o fim do século XVIII. Os próximos títulos avançam do século XIX ao XX — com a descoberta dos micróbios, o desenvolvimento de vacinas e antibióticos, e epidemias como a gripe espanhola, o HIV e a hepatite.

O encerramento, escrito durante a pandemia de 2020, olha para o século XXI: resistência a vacinas e antibióticos, doenças emergentes e a Covid-19, com lições para evitar novos retrocessos.

De Miasmas a Vacinas interessa a profissionais de saúde, historiadores e estudantes, mas também ao público geral. Ao resgatar a trajetória das infecções, a obra reforça a ciência como chave para proteger o futuro coletivo.