Linfoma Folicular

Linfoma Folicular: Entenda o Câncer do Sistema Linfático Mais Comum Entre Idosos

Doença responde por cerca de 20% dos casos de linfoma Não-Hodgkin e apresenta avanços importantes no tratamento

Por Redação Brazil Health , 04/09/2025

3 min de leitura

Linfoma Folicular: Entenda o Câncer do Sistema Linfático Mais Comum Entre Idosos

O linfoma folicular é um tipo de câncer que se origina nos linfonodos, estruturas do sistema linfático responsáveis pela defesa do organismo. Representando a segunda forma mais comum de linfoma Não-Hodgkin (LNH) no Brasil, a doença afeta principalmente pessoas idosas e costuma ter evolução lenta, mas exige atenção aos sinais de alerta.

Ao contrário de outros tipos de câncer, o linfoma folicular não está relacionado a fatores de risco conhecidos como tabagismo, consumo de álcool ou obesidade. De acordo com Guilherme Perini, hematologista do Hospital Israelita Albert Einstein, a única ligação clara é com o avanço da idade. “Nesse caso, diferentes dos cânceres tradicionais, o desenvolvimento está atrelado praticamente apenas ao envelhecimento, já que ocorre por mutações nos linfócitos”, explica o especialista.

Os principais sintomas que levam à suspeita dessa neoplasia são o aumento dos gânglios linfáticos em diversas regiões do corpo, como pescoço, axilas, virilha e abdômen inferior. O aumento do baço também pode ocorrer. Em alguns pacientes, há sintomas conhecidos como sintomas B: febre persistente, suor noturno intenso e perda de peso sem explicação. Cansaço, anemia e fraqueza também podem ser registrados.

O diagnóstico passa obrigatoriamente por uma biópsia. É necessário remover parte ou todo o gânglio linfático para análise laboratorial detalhada, que vai confirmar o linfoma folicular. Para os pacientes sem sintomas, a conduta mais frequente é a chamada vigilância ativa. “Tratar precocemente não garante maior sobrevida, então geralmente se opta por observar até o surgimento dos sintomas”, orienta Perini.

Até poucos anos atrás, o linfoma folicular era considerado incurável, principalmente por seu potencial de recidiva, ou seja, retorno da doença mesmo após tratamento. Este cenário, no entanto, começa a mudar graças ao avanço das terapias disponíveis.

  • inibidores de EZH2, atuando na proteína envolvida na progressão das células cancerígenas;
  • novas tecnologias e medicamentos alvo, especialmente para casos mais graves ou de recaída;
  • abordagens personalizadas conforme a mutação detectada e perfil do paciente.

Essas estratégias vêm prolongando significativamente o tempo até uma recidiva e, em alguns casos, até mesmo evitando seu retorno. O prognóstico hoje é considerado muito bom, segundo Perini. “Temos um arsenal terapêutico mais robusto, permitindo à maioria dos pacientes manter qualidade de vida, com poucos impactos na saúde e na rotina diária”, finaliza o especialista.