Liberdade com proteção

Prevenção combinada reduz risco de HIV durante o Carnaval

Especialistas defendem prevenção combinada e acesso rápido às profilaxias pelo SUS, com foco em jovens.

Por Redação Brazil Health , 08/02/2026

4 min de leitura

Prevenção combinada reduz risco de HIV durante o Carnaval

Em períodos de grandes aglomerações e intensificação das interações sociais, como ocorre durante o Carnaval, autoridades de saúde reforçam que a forma mais eficaz de reduzir o risco de infecção pelo HIV é a adoção da chamada prevenção combinada. A estratégia reúne diferentes ferramentas de cuidado em saúde sexual e deve ser adaptada ao perfil e ao momento de vida de cada pessoa.

Dados do Boletim Epidemiológico de HIV Aids mostram que, apesar da redução consistente da mortalidade nas últimas décadas, a taxa de detecção segue elevada entre jovens de 15 a 29 anos. Para o infectologista Klinger Soares Faíco, professor da Universidade Federal de São Paulo, o controle da epidemia depende da combinação de medidas preventivas e do acesso oportuno aos serviços de saúde. A proteção, segundo ele, não se sustenta em uma única ação isolada, mas na integração de estratégias baseadas em evidência científica.

PrEP e PEP como ferramentas centrais

A Profilaxia Pré-Exposição, conhecida como PrEP, é indicada para pessoas em maior risco de exposição ao HIV. O método utiliza antirretrovirais capazes de impedir que o vírus se estabeleça no organismo caso ocorra contato sexual. Disponível gratuitamente pelo Sistema Único de Saúde, a PrEP exige avaliação clínica, testagem regular e adesão adequada para alcançar sua máxima eficácia. Há também a modalidade sob demanda, indicada para exposições previsíveis, sempre com orientação profissional.

Já a Profilaxia Pós-Exposição, ou PEP, é indicada em situações inesperadas de risco, como relações sexuais sem preservativo, rompimento da camisinha ou violência sexual. O tratamento deve ser iniciado o mais rapidamente possível e mantido por 28 dias, com acompanhamento em serviço de saúde. O SUS oferta a PEP em unidades de urgência, UPAs e centros especializados em infecções sexualmente transmissíveis.

Acesso ampliado aos serviços de prevenção

Durante o Carnaval, estados e municípios costumam reforçar ações de prevenção, com ampliação da distribuição de preservativos e gel lubrificante, oferta de testes rápidos e organização de fluxos para atendimento em PrEP e PEP. Em grandes centros urbanos, estratégias de descentralização e teleatendimento têm contribuído para reduzir barreiras e agilizar o cuidado.

O Ministério da Saúde orienta que, em qualquer cidade do país, pessoas que necessitem de PEP procurem imediatamente uma unidade de urgência com funcionamento ininterrupto.

Proteção vai além do HIV

Especialistas ressaltam que PrEP e PEP são altamente eficazes contra o HIV, mas não oferecem proteção contra outras infecções sexualmente transmissíveis, como sífilis, gonorreia e clamídia. Por isso, o uso consistente do preservativo segue sendo indispensável.

A prevenção combinada reúne um conjunto de ações complementares:

  • uso consistente de camisinha
  • testagem regular para HIV e outras ISTs
  • PrEP para pessoas em maior risco
  • PEP em situações de emergência
  • tratamento antirretroviral para pessoas vivendo com HIV

Também ganha destaque o conceito Indetectável igual a Intransmissível. Pessoas em tratamento adequado e com carga viral indetectável não transmitem o HIV por via sexual, o que reforça a importância do diagnóstico precoce e da adesão ao tratamento.

Para especialistas, o Carnaval pode ser vivido com liberdade e prazer sem abrir mão do cuidado. Informação qualificada, acesso às ferramentas de prevenção e decisões conscientes seguem sendo essenciais para proteger a saúde individual e coletiva.