Intoxicação Alimentar

Intoxicação alimentar dispara em 2025 e já causa 64 mil atendimentos no Brasil

Casos aumentam no país; especialistas pedem mais cuidado no preparo, armazenamento e venda de alimentos

Por Redação Brazil Health , 27/11/2025

3 min de leitura

Intoxicação alimentar dispara em 2025 e já causa 64 mil atendimentos no Brasil

Casos aumentam no país e reforçam alerta sobre higiene, conservação dos alimentos e risco de desidratação.

Diarreia, vômitos, dor abdominal e febre. Sintomas que muita gente costuma chamar apenas de “comida que caiu mal” podem esconder um quadro de intoxicação alimentar — problema que continua provocando milhares de atendimentos médicos todos os anos no Brasil.

Com o aumento do consumo de refeições prontas, delivery e alimentação fora de casa, especialistas alertam para os cuidados com armazenamento, refrigeração e manipulação dos alimentos. Em muitos casos, a contaminação acontece antes mesmo de a comida chegar ao consumidor.

Segundo a especialista em segurança dos alimentos Paula Eloize, nem toda intoxicação alimentar está relacionada a comida estragada visivelmente. “Muitas vezes o alimento parece normal, sem cheiro ou gosto alterado, mas já está contaminado por bactérias, vírus ou toxinas capazes de provocar sintomas importantes”, explica.

A intoxicação alimentar acontece após o consumo de água ou alimentos contaminados por microrganismos como Salmonella, Escherichia coli, Staphylococcus e norovírus — este último associado a surtos recentes em restaurantes, hotéis e ambientes coletivos. 

“O problema pode surgir tanto por falhas de refrigeração quanto por manipulação inadequada dos alimentos. Às vezes, uma pequena quebra na cadeia de temperatura já é suficiente para favorecer a proliferação de bactérias”, afirma Paula Eloize.

Quais são os sintomas mais comuns

Os sintomas geralmente aparecem poucas horas após a ingestão do alimento contaminado e variam conforme o agente causador e a condição de saúde da pessoa.

Entre os principais sinais estão:
• diarreia;
• náuseas;
• vômitos;
• dor abdominal;
• cólicas;
• febre;
• mal-estar;
• fraqueza.

Em alguns pacientes, especialmente crianças e idosos, a perda rápida de líquidos pode levar à desidratação importante.

“A desidratação é uma das maiores preocupações nesses quadros. Em pessoas mais vulneráveis, o organismo pode perder água e sais minerais muito rapidamente”, alerta a especialista.

Nem toda intoxicação é causada por bactéria

Hoje, especialistas chamam atenção para o crescimento de casos ligados a vírus gastrointestinais, principalmente o norovírus, altamente contagioso e capaz de provocar surtos em ambientes fechados e coletivos. 

Além disso, alimentos aparentemente inofensivos continuam entre os mais associados aos surtos:
• maionese;
• ovos;
• carnes;
• frutos do mar;
• arroz mantido fora da refrigeração;
• saladas mal higienizadas.

Segundo Paula Eloize, um erro comum é deixar alimentos prontos muito tempo em temperatura ambiente. “Muita gente acredita que apenas alimentos crus oferecem risco, mas preparações cozidas também podem se tornar perigosas quando ficam fora da refrigeração por tempo prolongado”, explica.

Quando procurar atendimento médico

Embora muitos casos melhorem em poucos dias, alguns sinais exigem avaliação médica rápida:
• sangue nas fezes;
• febre alta persistente;
• vômitos intensos;
• tontura;
• sonolência;
• dificuldade para ingerir líquidos;
• sinais de desidratação.

O alerta é ainda maior para idosos, gestantes, crianças pequenas e pessoas imunossuprimidas.

Como prevenir intoxicação alimentar

Especialistas reforçam que medidas simples continuam sendo as mais eficazes:
• higienizar bem as mãos;
• conservar alimentos refrigerados;
• evitar consumo de produtos com procedência duvidosa;
• respeitar validade e armazenamento;
• higienizar frutas e verduras corretamente;
• evitar consumir alimentos que ficaram horas fora da geladeira.

“A segurança dos alimentos depende de uma cadeia inteira de cuidados. Pequenas falhas no preparo, transporte ou armazenamento podem fazer diferença”, conclui Paula Eloize.