Radiologia e Diagnóstico por Imagem

Vacinas de gripe, pneumonia e VSR: o que cada uma previne e quando tomar

Com o aumento de casos de infecções respiratórias no outono, especialistas reforçam que os imunizantes têm alvos diferentes e podem ser usados de forma complementar; exame pode ajudar no diagnóstico quando há sintomas intensos.

Por Redação Brazil Health , 04/05/2026

4 min de leitura

Vacinas de gripe, pneumonia e VSR: o que cada uma previne e quando tomar

Com a queda das temperaturas e maior circulação de vírus, o Brasil voltou a registrar alta de doenças respiratórias, o que reforça a importância de manter a vacinação em dia, especialmente entre crianças, idosos, gestantes e pessoas com doenças crônicas.

Dados do boletim InfoGripe, da Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz), apontam que 14.370 casos graves de infecções respiratórias foram notificados no país nos primeiros meses de 2026. Entre os casos com confirmação laboratorial para vírus respiratórios, cerca de 20% estavam associados à Influenza A e aproximadamente 1,7% à Influenza B.

Segundo a infectologista Maria Isabel de Moraes-Pinto, coordenadora de vacinas da Dasa, não existe uma “vacina única” capaz de cobrir todas as doenças respiratórias. “Cada imunizante tem um papel específico e atua contra vírus ou bactérias diferentes. Por isso, em muitos casos, as vacinas são complementares – e não substitutas entre si”, afirma.

Gripe: vacina anual e atualização das cepas

A vacina contra influenza é atualizada todos os anos para acompanhar os tipos de vírus com maior chance de circular na temporada. A campanha nacional costuma ocorrer antes do inverno, e a recomendação é priorizar a imunização de grupos mais vulneráveis, como idosos, gestantes, crianças e pessoas com comorbidades.

Na rede pública, é usada a vacina trivalente. Na rede privada, podem estar disponíveis versões quadrivalentes, além de formulações de alta dose voltadas para idosos, que podem ter resposta imune menor com vacinas tradicionais. A vacina pode ser aplicada junto com outros imunizantes, e não causa gripe.

Pneumococo: proteção contra bactéria ligada a pneumonia e meningite

Já as vacinas pneumocócicas protegem contra a bactéria Streptococcus pneumoniae, associada a pneumonia, meningite e infecções generalizadas. O tema é relevante porque a meningite segue com impacto no país: no primeiro semestre de 2025, o Ministério da Saúde registrou mais de 6 mil casos confirmados e 781 mortes, com letalidade de 12,7%.

No SUS, a vacina pneumocócica conjugada 10-valente (PCV10) faz parte do calendário infantil. Na rede privada, podem ser encontradas versões com cobertura ampliada (como PCV13, PCV15 e PCV20), indicadas conforme idade e perfil de risco. Em geral, a imunização é recomendada para crianças pequenas e para pessoas com maior risco de complicações, como idosos e pacientes com doenças crônicas, diabetes, cardiopatias ou imunossupressão. A aplicação pode ocorrer ao longo do ano, de acordo com calendário e orientação médica, inclusive em combinação com a vacina da gripe.

VSR: prevenção para proteger bebês e idosos

O vírus sincicial respiratório (VSR) é uma das principais causas de bronquiolite e quadros graves em bebês, além de representar risco para idosos. Como não há tratamento específico, a prevenção ganha peso.

A vacinação contra VSR é indicada para gestantes – com o objetivo de transferir anticorpos ao bebê durante a gestação – e para idosos. O imunizante está disponível na rede privada para gestantes e pessoas com 60 anos ou mais; no SUS, para gestantes. Também pode ser administrado junto a outras vacinas, conforme avaliação médica.

Quando o painel respiratório pode ser necessário

Mesmo vacinadas, as pessoas podem ter sintomas respiratórios, e nem sempre é possível identificar a causa apenas pelo exame clínico. Nesses casos, o painel respiratório pode ser indicado para detectar diferentes vírus e bactérias e orientar a conduta.

“É importante considerar realizar o painel respiratório quando o paciente tiver sintomas persistentes ou intensos, quadro em crianças e idosos e necessidade de diferenciar vírus respiratórios”, diz Maria Isabel.

Outra dúvida comum é sobre “sobrecarregar” o sistema imunológico ao tomar mais de uma vacina. A infectologista destaca que, em muitos casos, a aplicação no mesmo dia ou no mesmo período é segura e faz parte das estratégias de proteção. “A combinação de vacinas é segura e faz parte das estratégias de proteção. O mais importante é avaliar cada paciente individualmente, considerando idade, histórico de saúde e fatores de risco”, afirma.