Radiologia e Diagnóstico por Imagem

Sarampo volta a preocupar e reforça alerta para queda na vacinação infantil

Com alta de casos nas Américas e registros no Brasil, especialistas alertam que a falha não está só na primeira dose, mas na falta de reforços ao longo da infância.

Por Redação Brazil Health , 04/05/2026

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Sarampo volta a preocupar e reforça alerta para queda na vacinação infantil

A Semana Mundial da Imunização, lembrada de 24 a 30 de abril, ocorre em meio a um sinal de alerta para a saúde pública: o sarampo voltou a ganhar espaço nas Américas, e o Brasil já registrou casos em 2026. O cenário preocupa porque a doença, altamente contagiosa, costuma indicar falhas na cobertura vacinal, principalmente entre pessoas não vacinadas ou com esquema incompleto.

Dados da Organização Pan-Americana da Saúde (OPAS) apontam que a região teve quase 15 mil casos de sarampo em 2025, com 29 mortes, um salto de 32 vezes em comparação com o ano anterior. Nas primeiras semanas de 2026, mais de mil novos casos já haviam sido confirmados. Segundo a OPAS, 78% das infecções ocorreram em pessoas não vacinadas ou com histórico vacinal desconhecido.

No Brasil, em abril de 2026, foram confirmados dois casos: um no Rio de Janeiro, em uma jovem adulta sem registro de vacinação, e outro em São Paulo, em um bebê que havia viajado para a Bolívia, país que enfrenta surto ativo.

Sarampo como “termômetro” da cobertura vacinal

Para o infectologista e professor da Afya São João Del Rei, Américo Calvazara Neto, o sarampo ainda é subestimado, apesar do risco. “É uma doença potencialmente grave, associada a complicações como pneumonia, encefalite e mortalidade evitável, especialmente em populações não vacinadas”, afirma.

Ele lembra que o Brasil já teve a certificação de eliminação da circulação endêmica do sarampo, mas que o status pode ser perdido com a reintrodução do vírus. “Em um mundo globalizado, com intensa mobilidade populacional e surtos ativos em países vizinhos, o risco de reintrodução do vírus é constante. E, como demonstram os casos recentes, basta a presença de grupos suscetíveis para que a cadeia de transmissão se restabeleça”, diz.

Reforços ficam pelo caminho, aponta anuário

O Anuário VacinaBR 2025, levantamento promovido pelo Fundo das Nações Unidas para a Infância (UNICEF), indica que mais de 80% dos brasileiros vivem em municípios que não atingiram metas do Programa Nacional de Imunizações (PNI). Em 2025, apenas a BCG e a vacina contra hepatite B aplicadas em recém-nascidos superaram a meta populacional.

O problema se acentua com o passar do tempo: vacinas que exigem várias doses e reforços, como pólio, pentavalente e tríplice viral, têm cobertura estagnada em muitos municípios entre 41% e 70%.

“A poliomielite, erradicada no Brasil há décadas, ainda é uma ameaça latente. A queda na cobertura pode permitir a reintrodução do vírus e o surgimento de variantes em contextos de baixa imunização”, alerta Calvazara Neto.

Como recuperar a vacinação em dia

O infectologista defende ações mais direcionadas para identificar atrasos e facilitar o acesso, além de reforçar a confiança da população nas vacinas. “É necessário repensar estratégias, priorizando microplanejamento, busca ativa, integração com escolas e atenção primária, ampliação do acesso e uso de tecnologia para monitoramento e lembretes”, afirma.

Segundo ele, a hesitação vacinal deve ser enfrentada com escuta e informação clara sobre riscos e benefícios. “No âmbito familiar, manter a caderneta atualizada garante proteção individual e coletiva. Aos pais: confiram a cada consulta; não esperem campanha; em caso de atraso, procure a UBS; e usem caderneta física e digital. Vacina atrasada é proteção adiada”, conclui.