Radiologia e Diagnóstico por Imagem

Estudo da USP sugere que vírus como Covid-19 podem causar dor testicular crônica

Revisão de pesquisas aponta que inflamações após infecções virais podem explicar parte dos casos de dor persistente no escroto, problema que afeta a rotina e frequentemente fica sem diagnóstico.

Por Redação Brazil Health , 20/06/2026

3 min de leitura

Estudo da USP sugere que vírus como Covid-19 podem causar dor testicular crônica

Infecções virais podem estar associadas à dor testicular crônica, condição que provoca desconforto persistente na região escrotal e pode limitar atividades do dia a dia. A hipótese é reforçada por um estudo de pesquisadores da Faculdade de Medicina da Universidade de São Paulo (FMUSP) e do Hospital das Clínicas, que revisou evidências sobre o tema e incluiu vírus como SARS-CoV-2 (Covid-19), HIV e Zika.

O trabalho, publicado na revista Basic and Clinical Andrology, analisou resultados de 61 estudos científicos e discute possíveis mecanismos biológicos que ligam infecções virais a quadros de dor crônica no conteúdo escrotal. De acordo com estimativas citadas pelos autores, o problema pode atingir de 0,4% a 4,75% da população mundial. Ainda assim, até metade dos casos permanece sem causa identificada, o que dificulta o tratamento.

Por que isso importa

A dor crônica no conteúdo escrotal costuma ser investigada, na prática clínica, principalmente como consequência de infecções bacterianas. O estudo argumenta que essa abordagem pode deixar de fora uma parcela de pacientes em que o gatilho inicial foi viral, levando a diagnósticos incompletos e até ao uso desnecessário de antibióticos.

Segundo o coordenador do estudo, o urologista Jorge Hallak, a relação entre Covid-19 e o sistema reprodutor masculino ainda tem pontos em aberto. “Os efeitos agudos do SARS-CoV-2 são significativos, mas estamos vendo que os efeitos crônicos deixam mais sequelas do que imaginávamos. Este estudo mostra que essa doença exige cuidados redobrados, mesmo após cinco anos do início da pandemia”, afirma.

Como a infecção poderia levar à dor persistente

Os autores apontam que a inflamação provocada por vírus pode atingir estruturas do testículo e do epidídimo e, em alguns casos, afetar nervos da região, contribuindo para a manutenção da dor. Entre as hipóteses discutidas estão a inflamação prolongada, a ativação do sistema imunológico com liberação de substâncias que aumentam a sensibilidade dolorosa e respostas autoimunes que persistem mesmo após o fim da infecção.

Possíveis efeitos além da dor

A revisão também reúne estudos que sugerem impactos potenciais na saúde reprodutiva e hormonal, como redução da produção de espermatozoides, alterações hormonais e risco de infertilidade em alguns casos. Os pesquisadores ressaltam que nem todos esses efeitos são conclusivos para todos os pacientes, mas defendem que o histórico de infecção viral seja considerado quando a dor se mantém por semanas ou meses.

Para os autores, a ampliação da investigação clínica e o acompanhamento multidisciplinar em quadros de dor crônica podem melhorar o cuidado. Eles também destacam que a maior parte das evidências disponíveis vem de estudos observacionais, o que torna necessárias novas pesquisas para confirmar a relação de causa e efeito. “O entendimento do papel das infecções virais é essencial para melhorar o diagnóstico, o tratamento e a qualidade de vida desses pacientes”, conclui Hallak.