Radiologia e Diagnóstico por Imagem

Casos de malária caem no início de 2025, mas diagnóstico tardio persiste como entrave

Apesar da redução registrada no primeiro trimestre, a doença segue concentrada na Amazônia e atinge principalmente populações expostas a vulnerabilidade social e dificuldades de acesso ao SUS.

Por Redação Brazil Health , 28/04/2026

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Casos de malária caem no início de 2025, mas diagnóstico tardio persiste como entrave

O Brasil registrou queda de cerca de 26% nos casos de malária no primeiro trimestre de 2025, segundo dados do Ministério da Saúde. O resultado é atribuído a ações de vigilância e ao fortalecimento da atenção primária em áreas prioritárias, mas especialistas alertam que o país ainda enfrenta obstáculos para cumprir a meta de eliminação da doença até 2035, especialmente por causa do diagnóstico tardio e das desigualdades regionais.

Celebrado em 25 de abril, o Dia Mundial de Luta Contra a Malária chama atenção para o cenário desigual da doença no país. Embora o tratamento esteja disponível gratuitamente no Sistema Único de Saúde (SUS) e a malária tenha cura, o tempo entre o início dos sintomas e o diagnóstico segue como um dos principais entraves para evitar complicações e interromper a transmissão.

Onde a malária se concentra no país

Cerca de 99% dos casos brasileiros estão na Região Amazônica, em estados como Acre, Amazonas, Amapá, Maranhão, Mato Grosso, Pará, Rondônia, Roraima e Tocantins. Nesses territórios, a transmissão é influenciada por fatores socioambientais e de ocupação, como desmatamento, garimpo, migração e a presença de comunidades com pouco acesso a serviços de saúde.

Populações indígenas, ribeirinhas, assentamentos rurais e áreas de garimpo estão entre as mais vulneráveis. Em outras regiões do país, como Sudeste, Sul e Nordeste, predominam casos importados, geralmente ligados a viagens para áreas endêmicas.

Fora da Amazônia, um desafio adicional é a baixa suspeita clínica. Como a malária é menos frequente, sintomas como febre, calafrios, dor de cabeça e mal-estar podem ser confundidos com dengue, viroses e outras infecções, o que atrasa o diagnóstico e aumenta o risco de quadros graves.

Quem está mais exposto

O perfil epidemiológico mostra maior incidência entre homens de 20 a 59 anos, faixa etária associada a atividades com maior exposição, como garimpo, agricultura, extrativismo e deslocamentos frequentes para áreas de mata. A distribuição também reflete desigualdades históricas: pessoas pardas e indígenas concentram parcela relevante dos casos, em geral por barreiras de acesso a diagnóstico e tratamento.

Gestantes também exigem atenção especial, sobretudo no terceiro trimestre, quando a infecção pode elevar o risco de complicações para a mãe e o bebê.

Tratamento e meta de eliminação até 2035

A recomendação em saúde pública é iniciar o tratamento idealmente nas primeiras 48 horas após o aparecimento dos sintomas, medida que reduz a chance de agravamento e ajuda a conter a transmissão. Em áreas remotas da Amazônia, porém, distância, transporte difícil e falta de profissionais treinados para diagnóstico microscópico podem atrasar o atendimento.

O país também vem ampliando estratégias terapêuticas, como a incorporação da tafenoquina ao SUS para malária por Plasmodium vivax, com esquema em dose única para prevenir recaídas. O uso, no entanto, exige teste prévio de G6PD, que identifica uma deficiência genética associada ao risco de anemia hemolítica, e a expansão desse exame para municípios do interior ainda é um desafio.

O Plano Nacional de Eliminação da Malária prevê reduzir a transmissão progressivamente até 2035, com metas como interromper casos autóctones, eliminar infecções por Plasmodium falciparum e manter zero óbitos evitáveis. Para especialistas, a sustentabilidade desse objetivo depende de investimentos contínuos em vigilância, diagnóstico, equipes de saúde e ações voltadas aos territórios mais vulneráveis.