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Antibiótico para gripe e resfriado no inverno aumenta risco de bactérias resistentes

Sociedade Brasileira de Infectologia alerta que a maioria das infecções respiratórias nesta época é viral e não melhora com antibióticos; uso sem indicação pode comprometer tratamentos futuros.

Por Redação Brazil Health , 14/06/2026

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Antibiótico para gripe e resfriado no inverno aumenta risco de bactérias resistentes

Com a chegada do inverno e o aumento de sintomas como tosse, dor de garganta, febre e congestão nasal, cresce também a busca por atendimento médico e, com ela, a procura por antibióticos. A Sociedade Brasileira de Infectologia (SBI) reforça que, na maior parte das infecções respiratórias comuns da estação, a causa é viral, o que torna esse tipo de medicamento desnecessário.

O problema, segundo infectologistas, é que a automedicação e a pressão por receitas ainda são frequentes, mesmo quando o quadro sugere resfriado, gripe ou outras viroses. Além de não trazer benefício contra vírus, o uso inadequado favorece a resistência bacteriana, um fenômeno que reduz a eficácia de tratamentos essenciais.

De acordo com a Organização Mundial da Saúde (OMS), a resistência antimicrobiana está entre as principais ameaças à saúde pública global, por dificultar o controle de infecções que antes eram tratáveis com medicamentos de rotina.

Por que antibiótico não é remédio para virose

O infectologista Klinger Faíco, membro da SBI, afirma que ainda existe uma associação equivocada entre antibióticos e qualquer tipo de infecção. “É muito comum que pacientes procurem atendimento acreditando que um antibiótico irá acelerar a melhora de sintomas como tosse, coriza ou dor de garganta. No entanto, a maioria das infecções respiratórias observadas durante o inverno é causada por vírus, e os antibióticos não têm qualquer ação contra eles”, diz.

O especialista alerta que, além de não encurtar a duração da doença viral, o antibiótico usado sem necessidade aumenta o risco de selecionar bactérias capazes de resistir ao tratamento.

Como a resistência se forma e por que afeta todos

A resistência tende a surgir quando o antibiótico é usado sem indicação, em dose errada, por tempo insuficiente ou com falhas nos horários. Nesses cenários, bactérias mais sensíveis são eliminadas, enquanto as que têm mecanismos de defesa sobrevivem e se multiplicam, podendo dar origem a microrganismos resistentes a vários medicamentos.

O impacto vai além de infecções respiratórias: a resistência pode comprometer o tratamento de doenças comuns e aumentar riscos em procedimentos que dependem de controle rigoroso de infecções, como cirurgias, transplantes, terapia intensiva e tratamento do câncer.

Faíco ressalta que o problema não se restringe a quem toma antibiótico com frequência. “As bactérias resistentes circulam entre pessoas, hospitais e comunidades. Quando esses microrganismos se tornam predominantes, todos podem ser afetados, inclusive aqueles que utilizaram os medicamentos corretamente”, afirma.

Erros mais comuns e o que fazer diante dos sintomas

Entre os comportamentos que mais contribuem para o avanço da resistência estão:

  • usar antibiótico sem prescrição;
  • guardar sobras de tratamentos anteriores;
  • compartilhar medicamentos com familiares ou amigos;
  • interromper o tratamento antes do prazo recomendado;
  • não respeitar horários e intervalos entre as doses;
  • tomar antibiótico indicado para outra doença ou situação.

A SBI orienta que, diante de sintomas respiratórios, a avaliação médica é importante principalmente se houver piora do quadro ou fatores de risco. Em muitos casos virais, repouso, hidratação e medidas para alívio dos sintomas costumam ser suficientes. A entidade também reforça a vacinação contra influenza e Covid-19 como forma de reduzir casos e complicações no período de maior circulação de vírus.

O uso de antibióticos, reforça a sociedade, deve ocorrer apenas com orientação profissional e após avaliação clínica.