Queda de açúcar no sangue: sinais de alerta e como agir
Especialista da USP alerta para riscos e derruba mitos comuns sobre a hipoglicemia
Por Redação Brazil Health , 07/11/2025
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Um quadro de fraqueza, tremores e tontura nem sempre é “falta de açúcar”, mas a hipoglicemia existe, é frequente e pode ser perigosa quando passa despercebida. O problema segue banalizado, o que atrasa o diagnóstico e amplia riscos, sobretudo em quem usa medicamentos para diabetes.
“A hipoglicemia pode parecer algo simples, mas quando não é identificada e tratada corretamente, pode levar a quadros graves, como convulsões, arritmias e até perda de consciência”, alerta Ramon Marcelino, endocrinologista e pesquisador do Hospital das Clínicas da Faculdade de Medicina da USP.
A queda de açúcar acontece quando a glicose no sangue fica abaixo do normal, em geral sob 70 mg/dL. Os sinais mais comuns são tremores, suor frio, palpitações, tontura, fraqueza e dificuldade de concentração.
Embora seja mais frequente em pessoas com diabetes que usam insulina ou certos antidiabéticos, episódios também ocorrem em quem não tem a doença, especialmente após cirurgia bariátrica, jejum prolongado ou com uso de alguns fármacos.
Sinais e causas mais comuns
Nem todo mal‑estar é hipoglicemia: pressão baixa, desidratação, ansiedade e efeitos colaterais de remédios podem provocar sintomas parecidos. Em quadros mais intensos, pode haver desmaio, convulsão ou até coma.
No Brasil, uma causa recorrente é a hipoglicemia após bariátrica, quando alimentos muito açucarados entram rapidamente na circulação e, em seguida, provocam uma queda brusca da glicose, gerando sintomas.
Como agir diante da queda
Na suspeita de hipoglicemia, a orientação é usar carboidratos de ação rápida. Suco de fruta ou refrigerante comum costumam funcionar melhor do que chocolates e doces gordurosos, que demoram a agir.
“A regra do 15-15 ajuda: tomar 200 mL de suco ou refrigerante, esperar 15 minutos e medir novamente a glicemia”, orienta o médico. Se os sintomas persistirem, repetir a dose e buscar avaliação.
Exagerar no açúcar pode provocar uma alta rápida seguida de nova queda, agravando o problema. Para confirmar o diagnóstico, o teste capilar ajuda, mas o exame de sangue venoso é o padrão, sobretudo quando há sintomas intensos.
O que está por trás dos episódios
Remédios para emagrecer da classe dos análogos de GLP-1 raramente causam hipoglicemia sozinhos, e o risco aumenta quando combinados a outros antidiabéticos. “Curiosamente, eles até ajudam a tratar a hipoglicemia pós-bariátrica. Os remédios que mais causam hipoglicemia são a insulina e os antidiabéticos mais antigos, como a gliclazida”, ressalta Marcelino.
Em investigação de quadros em jejum, pode ser necessário o teste de jejum prolongado, realizado no hospital e, em protocolos antigos, com duração de até 72 horas — hoje, geralmente interrompido antes por segurança.
Também há causas menos comuns: tumores do pâncreas que produzem insulina em excesso (insulinomas), geralmente tratados com cirurgia, e deficiências hormonais, como falta de cortisol (insuficiência adrenal) ou de hormônio do crescimento.
A insuficiência adrenal é grave e requer diagnóstico e tratamento imediatos. Há ainda causas genéticas, como alterações no receptor de insulina, identificadas por pesquisas brasileiras.
“Esse tema vem sendo estudado no Hospital das Clínicas da USP, em parceria com a Unicamp, reunindo a maior casuística nacional sobre o assunto”, destaca Ramon Marcelino.
O recado final é simples: reconhecer os sinais e procurar atendimento é essencial. “Identificar a causa da hipoglicemia é o primeiro passo para tratar e prevenir novos episódios”, conclui o especialista.