Hepatites B e C elevam risco de câncer de fígado e podem não dar sintomas
No Julho Amarelo, especialistas reforçam a importância da vacina, do sexo seguro e do diagnóstico em pessoas com cirrose ou infecção crônica.
Por Redação Brazil Health , 29/06/2026
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As hepatites virais B e C estão entre as principais causas de câncer de fígado no mundo e podem evoluir por anos sem sinais claros. A atenção ao tema ganha força no Julho Amarelo, mês de conscientização sobre hepatites, diante do impacto dessas infecções na saúde pública e do risco de complicações como cirrose e tumores hepáticos.
Segundo a American Cancer Society, a incidência do câncer de fígado triplicou desde 1980, com aumento também das mortes pela doença. No mundo, mais de 800 mil pessoas recebem o diagnóstico anualmente. No Brasil, o Instituto Nacional do Câncer (INCA) estima cerca de 12.350 novos casos por ano no triênio 2026–2028, sendo 7.340 em homens e 5.010 em mulheres.
As hepatites B e C podem levar à inflamação persistente do fígado e à cirrose, quando o tecido normal é substituído por cicatrizes que comprometem o funcionamento do órgão. “A hepatite viral causada pelos vírus B e C pode ser transmitida entre pessoas através de relações sexuais sem preservativo, transfusões de sangue, compartilhamento de agulhas contaminadas ou de objetos de higiene pessoal ou durante o parto”, afirma Artur Rodrigues Ferreira, oncologista da Oncoclínicas.
O especialista destaca que há prevenção e tratamento disponíveis. “Como forma de prevenção, a vacina contra hepatite B é oferecida gratuitamente pelo SUS. Além disso, apesar de não existir uma vacina para a infecção pelo vírus C, os novos tratamentos, também oferecidos de forma gratuita na rede pública, possuem chance de cura em cerca de 90% dos casos”, diz. Estimativa da Organização Mundial da Saúde aponta que 304 milhões de pessoas vivem com hepatite B ou C.
Outros fatores que aumentam o risco
Além das hepatites, o câncer de fígado pode estar associado a condições como cirrose de diferentes causas, diabetes, doença gordurosa do fígado (quando há acúmulo de gordura no órgão), algumas doenças hereditárias e consumo excessivo de álcool. A exposição a aflatoxinas – toxinas produzidas por fungos que podem contaminar alimentos mal armazenados, como grãos e castanhas – também é citada como fator de risco.
Sinais de alerta e quando investigar
Boa parte dos casos não apresenta sintomas no início. Quando surgem, podem incluir perda de peso sem causa aparente, falta de apetite, dor no alto do abdômen, náuseas, fadiga, barriga inchada (ascite), presença de massa abdominal e icterícia – pele e parte branca dos olhos amareladas. Fezes muito claras também podem ocorrer.
O diagnóstico precoce é um desafio, e o rastreamento não costuma ser indicado para a população geral. “Geralmente, não são solicitados exames de rastreamento para o carcinoma hepatocelular na população em geral. Mas, eles podem e devem ser recomendados em casos específicos, como nos pacientes com cirrose hepática, ou ainda infecção crônica por hepatite B”, afirma Ferreira. Nesses casos, o médico pode indicar exames de sangue, testes de função do fígado, marcadores como a alfa-fetoproteína e exames de imagem como ultrassom, tomografia ou ressonância.
Tratamentos variam conforme o estágio
O tipo mais comum é o carcinoma hepatocelular, mais frequente em pessoas com doença hepática crônica. As opções de tratamento dependem do estágio do tumor e das condições do fígado e podem incluir cirurgia, transplante, ablações e embolizações, radioembolização, imunoterapia e terapias-alvo. “Mas, apenas após discussão multidisciplinar, a melhor modalidade de tratamento deverá ser indicada”, conclui o oncologista.
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