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Hemograma pode indicar anemia, infecções e até doenças do sangue ainda no início

Pedido em check-ups e antes de cirurgias, teste avalia glóbulos vermelhos, brancos e plaquetas e ajuda a orientar diagnósticos. Hematologista explica o que alterações comuns podem significar e quando é hora de investigar.

Por Redação Brazil Health , 19/07/2026

5 min de leitura

Hemograma pode indicar anemia, infecções e até doenças do sangue ainda no início

Um dos exames mais comuns nos consultórios, o hemograma costuma aparecer em check-ups, na avaliação pré-operatória e na investigação de sintomas como cansaço, fraqueza, febre ou sangramentos. Apesar de simples e acessível, ele pode revelar alterações importantes e servir como um “alerta inicial” para que o médico aprofunde a investigação.

O hematologista Pedro Neffá destaca que o hemograma funciona como um retrato do sangue naquele momento e, por isso, precisa ser interpretado em conjunto com a história do paciente e, quando necessário, com outros exames. “Um resultado alterado não significa, automaticamente, doença grave. E um exame normal não exclui todos os problemas de saúde”, afirma.

Na prática, o hemograma avalia três grandes componentes do sangue:

  • Glóbulos vermelhos (hemácias), responsáveis por levar oxigênio aos tecidos
  • Glóbulos brancos (leucócitos), que atuam na defesa contra infecções
  • Plaquetas, fundamentais para a coagulação e para evitar sangramentos excessivos

Anemia: quando a hemoglobina baixa acende o sinal de atenção

Entre os achados mais frequentes está a anemia, identificada principalmente quando a hemoglobina aparece abaixo do esperado. Para o especialista, é um ponto que não deve ser banalizado: “Ter anemia nunca deve ser considerado normal”, alerta Pedro Neffá.

A anemia, explica ele, não é uma doença única, mas um sinal que pode ter diferentes causas. Entre as mais comuns estão deficiência de ferro, falta de vitamina B12, perdas de sangue e doenças inflamatórias, além de alterações na medula óssea, onde as células do sangue são produzidas. Por isso, além de constatar a queda da hemoglobina, o médico observa características das hemácias, que ajudam a direcionar o caminho da investigação.

Na deficiência de ferro, por exemplo, é comum que as hemácias apareçam menores e mais pálidas. Esse cenário pode estar ligado a alimentação inadequada, menstruação intensa, sangramentos no trato gastrointestinal ou aumento da necessidade de ferro em determinadas fases da vida.

Já na deficiência de vitamina B12, as hemácias podem surgir com tamanho aumentado no exame. E os efeitos podem ir além do cansaço típico da anemia. “A falta de B12 pode causar sintomas neurológicos, como formigamentos, alteração de sensibilidade e dificuldade de equilíbrio em alguns casos”, explica o hematologista.

Glóbulos brancos e plaquetas: sinais de infecção, inflamação e outros problemas

Os glóbulos brancos também exigem atenção. Eles podem subir em situações comuns, como infecções e inflamações, além de aumentar com o uso de alguns medicamentos. Mas também podem ficar baixos, o que sugere maior risco de infecções ou dificuldade do organismo em produzir essas células.

Em alguns casos, alterações marcantes no número ou no aspecto dessas células levantam a suspeita de doenças hematológicas, como leucemias e linfomas, o que demanda avaliação especializada e exames complementares.

As plaquetas, por sua vez, são parte central do mecanismo de coagulação. Quando estão muito baixas, pode haver tendência a sangramentos e sinais como manchas roxas, sangramento gengival, sangramento nasal ou menstruação muito intensa. Quando estão muito altas, dependendo do contexto, podem estar associadas a inflamação, deficiência de ferro ou doenças da medula óssea. Por isso, a leitura do resultado não deve ser feita isoladamente.

Doenças podem aparecer no exame antes dos sintomas

Embora muita gente só procure atendimento quando algo incomoda, o hemograma pode revelar alterações relevantes mesmo em quem se sente bem. Há situações em que o exame feito por rotina mostra anemia importante, queda de plaquetas ou mudanças expressivas nos glóbulos brancos, o que leva a uma investigação mais detalhada e, eventualmente, ao diagnóstico de doenças graves.

Nesses casos, o teste não impede que a doença surja, mas pode ajudar a identificá-la mais cedo, antes de complicações. Ainda assim, o atraso para buscar avaliação médica é comum por falta de tempo, medo do diagnóstico, dificuldade de acesso ao sistema de saúde ou pela ideia de que exames só são necessários quando há sintomas claros.

O problema é que algumas alterações evoluem de forma silenciosa por semanas ou meses. Cansaço persistente, palidez, perda de peso sem explicação, febre recorrente, infecções frequentes, manchas roxas sem motivo aparente e sangramentos fora do habitual são sinais que merecem atenção.

Mitos e cuidados: anemia não “vira” leucemia

Um temor frequente é associar anemia a câncer do sangue. O hematologista reforça que, na maioria das vezes, a anemia tem causas como falta de ferro, deficiência de vitaminas ou perda de sangue. “Uma anemia não se transforma em leucemia”, afirma.

O que pede cautela, segundo ele, é quando a anemia aparece acompanhada de outras alterações no hemograma, como queda das plaquetas ou mudanças importantes nos glóbulos brancos. Nessa combinação, a investigação costuma precisar ser mais cuidadosa.

No dia a dia, manter consultas de rotina e discutir os resultados com um profissional de saúde é uma forma simples de não deixar sinais passarem despercebidos. O hemograma é apenas um exame, mas muitas vezes é o primeiro indício de que o corpo precisa de atenção.