Hemorroidas

Hemorroidas: médico explica sinais, alívio rápido e quando operar

Do sangue no vaso à dor aguda, especialista detalha prevenção, quando buscar ajuda e opções de tratamento, do cuidado em casa à cirurgia

Por Redação Brazil Health , 30/12/2025

5 min de leitura

Hemorroidas: médico explica sinais, alívio rápido e quando operar

Hemorroidas são comuns e, na maioria dos casos, têm solução simples. “Hemorroidas não são veias doentes que apareceram do nada”, explica o cirurgião do aparelho digestivo Antonio Couceiro Lopes. Segundo ele, essas “almofadinhas” naturais do canal anal viram problema quando inflamam, sangram, coçam, doem ou saem para fora.

O pico de casos ocorre entre os 40 e 60 anos, e hábitos contam muito. Forçar para evacuar, fezes duras, passar tempo demais no vaso e pouca fibra na dieta são os principais vilões — na mulher, gravidez e pós-parto também pesam. “Hábito no banheiro e consistência das fezes fazem muita diferença”, reforça o médico.

Sinais, o que observar e quando investigar

O alerta mais comum é o sangue vermelho vivo no papel ou pingando no vaso ao evacuar. Também podem surgir coceira, secreção, sensação de “caroço” que vai e volta e incômodo. Dor forte costuma indicar um coágulo numa hemorroida externa (trombose) ou outra complicação. “Não dá para culpar as hemorroidas sem examinar”, diz Lopes.

O diagnóstico é feito no consultório, com conversa, inspeção da região e toque retal. Colonoscopia entra quando há sinais de alerta (anemia, perda de peso, mudança recente do hábito intestinal), na hora de rastrear câncer colorretal, ou se o sangramento persiste sem causa evidente no ânus.

Tratamento: do banheiro ao centro cirúrgico

Quase sempre, o primeiro passo dispensa bisturi. O pacote básico reduz sangramento, coceira e prolapso leve e serve de base para qualquer outra abordagem:

  • Consumir 25 a 35 g de fibras por dia (alimentos e/ou suplemento)
  • Beber água ao longo do dia
  • Atender ao “chamado” do intestino sem adiar e sem forçar
  • Ficar poucos minutos no vaso
  • Usar, se necessário, laxativos osmóticos ou amaciante de fezes

Nos quadros mais volumosos e prolapsados (em especial graus III volumosos e IV), quando há pele externa redundante ou repetidas falhas das medidas de consultório, a remoção cirúrgica costuma ser a opção mais duradoura. A chamada hemorroidectomia excisional remove o tecido doente e corrige o prolapso. “A diferença costuma aparecer na dor dos primeiros dias, não no resultado final”, afirma o cirurgião, ao comparar técnicas de ferida aberta (Milligan–Morgan) ou fechada (Ferguson) e a cirurgia grampeada. Em geral, a excisional tem menos recidiva a longo prazo, embora possa doer mais no início da recuperação.

Tecnologias na cirurgia: o que muda para o paciente

Do bisturi “clássico” aos dispositivos de energia (elétrico, ultrassônico e laser), as opções têm desempenho semelhante quando bem indicadas e executadas. “Todas as opções funcionam bem”, diz Lopes. “A diferença real aparece no conforto do início da recuperação e no tempo de sala; o resultado duradouro depende mais de indicar bem e executar bem do que do aparelho.”

  • Lâmina fria: precisa e acessível; pode sangrar um pouco mais durante a cirurgia.
  • Bisturi elétrico e seladores vasculares: cortam e coagulam ao mesmo tempo; tendem a reduzir sangramento e tempo operatório.
  • Ultrassônico: menos calor nos tecidos; costuma doer menos no começo e permite retorno mais rápido às atividades.
  • Laser: como “faca” tem desempenho parecido às demais. Na hemorroidoplastia a laser (LHP), preserva-se a almofada e ela é “encolhida” por dentro; dói menos e a recuperação é mais rápida, mas a chance de retorno depende do protocolo e do tipo de laser.

Na trombose hemorroidária externa, a dor é intensa e súbita. Se o quadro tiver menos de 48 a 72 horas, “retirar o coágulo com anestesia local traz alívio mais rápido” e aumenta o intervalo até uma nova crise. Depois disso, muitos casos melhoram sozinhos, com tratamento conservador.

No pós-operatório, rotinas de Recuperação Otimizada (ERAS) tornam o processo mais tranquilo, com analgésicos programados (priorizando dipirona, paracetamol e anti-inflamatório, deixando opioide só como resgate), laxativo/amaciante desde o primeiro dia, muita fibra e água, banhos de assento e deambulação precoce. Em alguns casos, metronidazol (oral ou pomada) ajuda na dor. Procure o serviço se houver febre, dor que piora e foge do esperado, sangramento volumoso, retenção urinária importante ou secreção purulenta.

Quanto à recorrência, procedimentos de consultório têm maior chance de retorno dos sintomas e podem exigir novas sessões. Já a cirurgia excisional, quando bem indicada para doença prolapsada, oferece controle mais duradouro.

“Nada supera o básico: fezes macias e moldadas, não forçar e não ‘morar’ no vaso. Para muitos, isso já resolve”, conclui o médico. “Para os demais, existe um passo a passo seguro — do consultório ao centro cirúrgico — capaz de devolver conforto e qualidade de vida.”

Conteúdo educativo; não substitui consulta. Sangramento persistente, anemia, dor forte, febre, perda de peso ou mudança recente do hábito intestinal pedem avaliação médica.