Gordura Abdominal

Gordura na barriga e perda de músculo após os 50 elevam risco de morte

Levantamento com 5 mil adultos acompanhados por 12 anos aponta salto no risco quando excesso de barriga se soma à perda de músculo; especialista explica como agir.

Por Redação Brazil Health , 19/12/2025

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Gordura na barriga e perda de músculo após os 50 elevam risco de morte

A combinação de excesso de gordura abdominal e perda de massa muscular após os 50 anos está ligada a um aumento expressivo de mortes, sobretudo por causas cardiovasculares. A conclusão é de um estudo publicado em 2024 por pesquisadores da UFSCar em parceria com a University College London, que acompanhou cerca de 5 mil pessoas por 12 anos e observou até 83% mais risco de mortalidade nesse grupo.

Segundo os autores, a gordura que se acumula dentro do abdômen, próxima aos órgãos, altera o metabolismo e favorece inflamação, pressão alta e alterações no açúcar do sangue. Ao mesmo tempo, a redução de músculos, comum com o envelhecimento, reduz a capacidade do corpo de usar energia e protege menos o coração e o equilíbrio glicêmico.

Mulheres mais vulneráveis no climatério

Entre as mulheres, a transição para a menopausa intensifica o quadro. A queda de estrogênio desacelera o metabolismo, facilita o ganho de peso e desloca a gordura para a região da cintura. Estimativas apontam que até 60% das mulheres nessa fase desenvolvem obesidade abdominal, um fator que pesa para doenças do coração e do metabolismo.

“Na menopausa, o metabolismo desacelera, a barriga tende a crescer e a massa muscular diminui”, afirma a endocrinologista e metabologista Elaine Dias JK, PhD pela USP. Para a médica, o acúmulo na cintura “não é apenas estético; ele se associa à resistência à insulina, ao diabetes tipo 2 e a problemas cardíacos”.

Perda muscular potencializa o risco

A redução de massa magra agrava os efeitos da gordura visceral porque diminui a queima de energia e piora o controle do açúcar no sangue. Muitas vezes, essa perda passa despercebida em consultas de rotina, já que o peso total pode mudar pouco. “Quando a gordura abdominal sobe e o músculo some, o organismo perde eficiência para usar glicose e gordura”, diz Elaine.

Para a especialista, o cuidado deve ser integrado e individualizado, com foco em reduzir a gordura da cintura e preservar os músculos. Medicamentos para perda de peso podem ser aliados quando indicados pelo médico, mas precisam vir acompanhados de ajustes no estilo de vida, acompanhamento nutricional e treino de força.

Prevenção e cuidados práticos

Segundo a endocrinologista, algumas medidas ajudam a reduzir riscos e proteger o coração:

  • Monitorar a circunferência abdominal e a composição corporal, não só o peso na balança.
  • Priorizar treino de força (musculação) 2 a 4 vezes por semana, aliado a atividade aeróbica.
  • Adequar a ingestão de proteínas e, se necessário, considerar suplementação e vitamina D com orientação profissional.
  • Investir em alimentação equilibrada, com menos ultraprocessados e controle de açúcar e álcool.
  • Consultar o médico para avaliar riscos, checar exames e discutir terapias quando houver indicação.

O objetivo, reforça Elaine, é atacar o problema por duas frentes: reduzir a gordura na cintura e manter ou ganhar massa muscular. “Quando conseguimos diminuir a barriga e preservar o músculo, aumentamos a qualidade de vida e a autonomia para atravessar essa fase com mais equilíbrio e confiança”, conclui.