Glioblastoma: câncer cerebral raro que cresce rápido e desafia tratamentos
Professor da UFMG explica sinais de alerta, como é o diagnóstico e por que a combinação de terapias é decisiva
Por Redação Brazil Health , 29/12/2025
3 min de leitura
Raro e agressivo, o glioblastoma ainda é um dos maiores desafios da medicina moderna. O professor Baltazar Leão, da Faculdade de Medicina da UFMG, detalha o que é a doença, como reconhecer os sintomas e quais estratégias de tratamento podem prolongar a vida dos pacientes. "Quando falamos em tumores cerebrais, poucos nomes assustam tanto quanto o glioblastoma", afirma.
O especialista explica que o glioblastoma se origina no próprio cérebro e tem crescimento rápido e infiltrativo. "A principal característica do glioblastoma é seu comportamento invasivo", diz Leão. Ao contrário de tumores mais delimitados, ele se espalha entre os tecidos cerebrais, dificultando a remoção completa por cirurgia e favorecendo a recidiva.
Sintomas que pedem atenção
Os sinais variam conforme a área do cérebro afetada. Entre os mais comuns estão:
- dor de cabeça progressiva e persistente
- crises convulsivas em pessoas sem histórico
- alterações cognitivas e de comportamento
- dificuldade para falar ou compreender
- perda de força ou sensibilidade em um lado do corpo
- visão dupla ou embaçada
Esses sintomas tendem a surgir de forma gradual e devem ser investigados com exames de imagem, como a ressonância magnética.
Como é o diagnóstico
O passo decisivo é a análise do tecido tumoral. "O diagnóstico é confirmado após uma biópsia ou cirurgia para retirada parcial do tumor, seguida da análise anatomopatológica do tecido", explica Leão. Testes genéticos, como a mutação do gene IDH e a metilação do gene MGMT, ajudam a prever resposta ao tratamento e expectativa de sobrevida.
Segundo a American Brain Tumor Association, a incidência é de cerca de 3 casos por 100 mil habitantes ao ano, com maior frequência entre 45 e 70 anos e leve predominância em homens.
Tratamento combina várias frentes
"O tratamento do glioblastoma é sempre desafiador e exige múltiplas frentes", resume o professor.
- Cirurgia: primeiro passo, para remover o máximo possível do tumor sem comprometer funções neurológicas.
- Radioterapia: aplicada nas semanas seguintes à cirurgia para destruir células remanescentes.
- Quimioterapia: a temozolomida é a mais usada, em ciclos por meses.
- Novas terapias: em centros especializados, podem incluir imunoterapia, terapia gênica, vacinas tumorais e dispositivos de eletroterapia implantável, como o Optune.
Mesmo com esse arsenal, o prognóstico ainda é reservado. A sobrevida média costuma ficar entre 15 e 18 meses, embora casos com alterações genéticas favoráveis possam superar esse período.
Há, porém, avanços relevantes. "Nos últimos anos, o avanço da neurocirurgia com técnicas de neuronavegação, mapeamento eletrofisiológico cerebral em tempo real, ultrassonografias de alta resolução e cirurgia guiada por fluorescência tem permitido ressecções mais seguras e eficazes", aponta Leão. Ele lembra que pesquisas testam terapias como células de defesa modificadas para atacar o tumor, edição genética e vacinas personalizadas.
"A realidade do glioblastoma ainda impõe desafios difíceis, mas o caminho da ciência tem trazido esperança - para pacientes, famílias e profissionais que enfrentam de frente esse inimigo complexo e traiçoeiro", conclui o professor.
Tags relacionadas: