Psiquiatria

Vacina contra endometriose e novas cirurgias mudam cuidados com dor e miomas

Técnicas menos invasivas, exames mais precisos e pesquisas para prevenção podem reduzir atrasos no diagnóstico e ampliar opções para quem sofre com cólicas fortes, sangramento intenso e dificuldade para engravidar.

Por Redação Brazil Health , 20/06/2026

4 min de leitura

Vacina contra endometriose e novas cirurgias mudam cuidados com dor e miomas

Pesquisas em torno de uma possível vacina contra a endometriose e a expansão de cirurgias minimamente invasivas para miomas uterinos estão mudando o cenário de tratamento de duas das condições ginecológicas mais comuns. Segundo a ginecologista Megan Wasson, chefe de ginecologia da Mayo Clinic no Arizona, os avanços podem ajudar a diminuir o impacto dos sintomas e, em muitos casos, preservar o útero e a fertilidade.

Endometriose e miomas são doenças diferentes, mas podem compartilhar sinais como dor pélvica e alterações no ciclo menstrual. “Ambas são relativamente comuns. Pode haver alguma sobreposição de sintomas, mas a maioria dos sintomas varia, e as doenças evoluem de maneiras diferentes”, afirma Wasson. Ela também ressalta que as duas condições podem ter componente familiar e que, hoje, não há forma conhecida de preveni-las.

Miomas: alternativas à retirada do útero

Os miomas se desenvolvem no útero e, na maioria das vezes, não são cancerosos. Podem ser pequenos ou crescer a ponto de ocupar parte da pelve e do abdômen, causando distensão abdominal e pressão sobre outros órgãos. “Esses miomas não são apenas pequenos incômodos. São massas muito grandes e muito significativas, que podem realmente impactar a qualidade de vida”, diz a médica.

Muitas mulheres descobrem os miomas por acaso, em exame pélvico ou ultrassom. Quando há sintomas, os mais comuns incluem menstruação intensa ou prolongada, dor na pelve, necessidade frequente de urinar, dificuldade para urinar, constipação e dor durante a relação sexual. “Também pode haver constipação, porque os miomas pressionam os intestinos e impedem a evacuação normal”, explica Wasson.

Historicamente, casos mais graves eram frequentemente encaminhados para histerectomia, cirurgia que remove o útero e elimina a possibilidade de gestação. Hoje, procedimentos e técnicas menos invasivas podem reduzir a necessidade dessa abordagem e, em parte das pacientes, preservar a fertilidade. Entre as opções citadas estão a embolização dos miomas uterinos, que bloqueia o suprimento de sangue para reduzir seu tamanho, e métodos que utilizam energia para destruir o tecido, como a ablação por radiofrequência. Há ainda cirurgias como miomectomia laparoscópica ou robótica, com foco em retirar os miomas mantendo o útero.

Endometriose: dor que começa cedo e pode afetar a fertilidade

Na endometriose, um tecido semelhante ao revestimento interno do útero cresce fora dele. As queixas mais comuns incluem cólicas e dor pélvica, menstruação intensa ou sangramento fora do período, dor durante a relação sexual e dor ao urinar ou evacuar. Em alguns casos, a doença é descoberta apenas durante a investigação de infertilidade ou em cirurgias feitas por outros motivos.

“Os sintomas da endometriose geralmente começam muito mais cedo na vida do que os dos miomas”, afirma Wasson. De acordo com ela, a condição também está associada a maior risco de câncer de ovário e pode levar à infertilidade.

O tratamento costuma combinar medicamentos e, quando indicado, cirurgia para retirada das lesões, com a tentativa de preservar útero e ovários. Esse procedimento pode ser feito por laparoscopia, com pequenas incisões, e em alguns casos com auxílio de robôs.

O que vem pela frente: vacina e imagens mais sensíveis

A Mayo Clinic conduz pesquisas para desenvolver uma vacina voltada à prevenção da endometriose, além de estudos para facilitar a detecção da doença por exames de imagem. A proposta em investigação inclui o uso de uma molécula durante o exame para “iluminar” áreas com tecido endometriótico, tornando as lesões mais visíveis.

Para reduzir atrasos no diagnóstico, Wasson recomenda atenção aos sinais desde o início dos ciclos menstruais, especialmente quando há dor importante, sangramento muito intenso, ciclos muito longos ou curtos, ou ausência de menstruação. “A menstruação não deve passar de um pequeno desconforto”, alerta. “Se houver qualquer sintoma que esteja fazendo você mudar algo na sua vida, isso justifica uma conversa com um profissional de saúde.”