Psiquiatria

Seleção Genética de Embriões: Avanços, Ética e o Futuro da Reprodução Humana

Avanços na fertilização in vitro levantam questões sobre ética, limites e o futuro da reprodução humana

Por Redação Brazil Health , 05/09/2025

4 min de leitura

Seleção Genética de Embriões: Avanços, Ética e o Futuro da Reprodução Humana

A possibilidade de escolher embriões durante o tratamento de fertilização in vitro (FIV) já não pertence mais ao universo da ficção científica. Graças a novas tecnologias genéticas, casais em busca do sonho de ter filhos podem, hoje, contar com recursos jamais imaginados, ampliando ao mesmo tempo as fronteiras da medicina e os debates sobre até onde a ciência pode – ou deve – intervir.

A grande virada acontece devido à possibilidade de criar vários embriões em laboratório e analisar geneticamente cada um deles antes da implantação. De acordo com a médica Maria Cecília Erthal, especialista em reprodução assistida, “podemos lançar mão de técnicas para análise genética pré-implantacional como o PGT-A, PGT-M e o PGT-SR”.

  • PGT-A: verifica se o embrião possui o número correto de cromossomos, reduzindo riscos de síndromes genéticas e aumentando as chances de gestação, especialmente recomendado para mulheres com idade mais avançada ou histórico de abortos. “Pense como um ‘check-up’ geral dos cromossomos do embrião”, explica Maria Cecília.
  • PGT-M: busca mutações associadas a doenças genéticas já conhecidas na família, como fibrose cística ou anemia falciforme. A especialista compara: “É como procurar uma letra trocada em um trecho específico do DNA.”
  • PGT-SR: indicado para pais portadores de alterações na estrutura dos cromossomos, como as translocações. Mesmo com número cromossômico correto, a ordem dos genes pode estar alterada. “É como se as páginas de um livro estivessem todas lá, mas na ordem errada”, resume a médica.

Além dos exames genéticos, outra revolução vem do uso de inteligência artificial (IA). Sistemas como o Magenta analisam imagens microscópicas e informações clínicas das pacientes para “ranquear” cada embrião segundo seu potencial de desenvolvimento. “O software cruza esses dados com bancos de dados internacionais e gera uma pontuação, indicando quais embriões têm melhor prognóstico para cada caso específico”, explica Maria Cecília.

A presença dessas novas tecnologias marca uma nova era na chamada medicina de precisão. “Em vez de decisões baseadas apenas em estatísticas populacionais, os médicos agora contam com ferramentas que permitem escolhas mais direcionadas, caso a caso”, aponta a médica. Isso significa não apenas maiores taxas de sucesso nos tratamentos, mas também avanços na prevenção de doenças graves em famílias com histórico conhecido.

No Brasil, o uso desses testes é regulado pela ANVISA e pelo Conselho Federal de Medicina. Eles autorizam o diagnóstico genético pré-implantacional apenas para determinadas indicações médicas, como idade materna avançada, histórico de doenças hereditárias graves ou falhas repetidas de implantação. Não é permitida a seleção de características físicas ou de sexo do bebê, salvo em casos específicos de razões médicas. “A seleção por sexo, altura ou traços físicos é proibida, exceto quando há justificativa médica”, reforça Maria Cecília.

Apesar dos avanços, a especialista ressalta a importância de discutir os limites: “A ciência pode e deve ajudar a prevenir doenças e aumentar as chances de uma gestação saudável. Mas, como sociedade, precisamos decidir juntos até onde vale a pena ir. Porque mais importante do que escolher o embrião ideal, é garantir um mundo em que toda criança possa ser acolhida e respeitada do jeito que ela vier.”