Psiquiatria

Quando a fertilização in vitro é a opção mais eficaz para engravidar

Obstrução nas trompas, endometriose, idade acima de 35 e alterações no sêmen estão entre as situações em que a técnica pode aumentar as chances de gestação

Por Redação Brazil Health , 02/05/2026

3 min de leitura

Quando a fertilização in vitro é a opção mais eficaz para engravidar

A fertilização in vitro (FIV) é frequentemente associada à ideia de “último recurso” para quem enfrenta dificuldades para ter filhos. Na prática, porém, há casos em que ela se torna o caminho mais eficaz desde o início, por contornar barreiras biológicas que impedem a gravidez de ocorrer de forma natural.

Segundo o ginecologista e especialista em reprodução assistida Dr. Dani Ejzenberg, definir o momento certo de partir para a FIV pode evitar perda de tempo, frustrações e desgaste emocional. “Quando há obstáculos claros, insistir por muito tempo em tentativas naturais ou métodos mais simples pode atrasar o tratamento mais adequado”, afirma.

A técnica consiste em realizar a fecundação em laboratório e, depois, transferir o embrião para o útero. Por isso, tende a ser indicada quando o problema está no caminho que óvulo e espermatozoide precisam percorrer, ou quando há fatores que reduzem as chances de sucesso com abordagens de menor complexidade.

Quando a FIV costuma ser indicada

Trompas obstruídas e alterações anatômicas

Um dos cenários mais comuns para a indicação de FIV é a obstrução das tubas uterinas (antigamente chamadas de trompas). Como a fecundação normalmente acontece nessa região, qualquer bloqueio dificulta ou impede o encontro entre óvulo e espermatozoide.

Outras condições que podem comprometer a anatomia reprodutiva e reduzir a chance de gravidez espontânea incluem endometriose avançada, aderências pélvicas e sequelas de infecções ginecológicas. Nesses casos, a FIV “contorna essas barreiras ao permitir a fecundação fora do corpo e a transferência do embrião diretamente para o útero”, explica o médico.

Idade materna e queda da fertilidade

A idade é um dos fatores mais importantes para a fertilidade feminina. A partir dos 35 anos, é esperada uma redução progressiva na quantidade e na qualidade dos óvulos, o que diminui as taxas de gravidez e aumenta o risco de abortamento.

Para esse grupo, a estratégia costuma ser mais direta. “Em mulheres com idade mais avançada, o tempo é um fator decisivo, e a avaliação precoce ajuda a definir o melhor caminho”, destaca Dr. Dani Ejzenberg. A FIV pode ser associada a técnicas de seleção embrionária para tentar otimizar as chances dentro de uma janela reprodutiva mais curta.

Fator masculino, infertilidade sem causa aparente e falhas em tentativas anteriores

A FIV também é indicada quando há alterações moderadas ou graves no sêmen, como baixa contagem, pouca mobilidade ou mudanças no formato dos espermatozoides. Em situações assim, é possível recorrer a técnicas em que o espermatozoide é injetado no óvulo para facilitar a fecundação.

Há ainda os casos de infertilidade sem causa aparente, quando exames não apontam um motivo claro, mas a gravidez não acontece após repetidas tentativas. Nessa situação, a FIV pode atuar como tratamento e também ajudar a esclarecer etapas do processo reprodutivo que não estão funcionando como o esperado.

Falhas repetidas em inseminações intrauterinas e histórico de abortamentos de repetição também podem sinalizar a necessidade de abordagens mais avançadas, de acordo com o especialista.

Embora não seja uma solução universal, a fertilização in vitro pode oferecer melhores chances quando tem indicação precisa. A recomendação é buscar avaliação com ginecologista especializado em reprodução humana para individualizar a estratégia, alinhar expectativas e reduzir tentativas com baixa probabilidade de sucesso.