Psiquiatria

Pós-parto: sinais de alerta que exigem atendimento e como buscar apoio

Entre mudanças hormonais, dor e privação de sono, o puerpério pode trazer riscos à saúde física e mental. Especialista explica o que é esperado, o que preocupa e quando procurar ajuda.

Por Redação Brazil Health , 12/06/2026

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Pós-parto: sinais de alerta que exigem atendimento e como buscar apoio

A chegada de um bebê costuma concentrar a atenção da família no recém-nascido, mas o pós-parto também exige cuidado com a saúde de quem gestou. O puerpério – período que vai do parto até cerca de seis semanas depois – envolve recuperação física, oscilações emocionais e pode trazer complicações que precisam de avaliação médica.

Dados do Ministério da Saúde indicam que o Brasil registrou 1.347 mortes maternas em 2024, e parte importante desses óbitos ocorre durante a gestação ou até 42 dias após o parto, justamente a fase do puerpério. Para especialistas, o número reforça a necessidade de reconhecer sinais de risco e garantir acompanhamento.

“Existe uma expectativa social de que a pessoa no pós-parto deve estar feliz o tempo todo e se recupere rapidamente, mas o puerpério é um período de grande impacto físico e emocional”, afirma o ginecologista e obstetra André Clemente, do Hospital Maternidade Paulino Werneck, no Rio de Janeiro.

O que é comum na recuperação física

Nos primeiros dias após o parto, o organismo passa por mudanças intensas: o útero começa a voltar ao tamanho habitual, há eliminação de sangue e secreções, queda brusca de hormônios e adaptação da amamentação, quando ela acontece. Sangramento nos primeiros dias, cólicas, dor na região íntima ou na cicatriz da cesariana, inchaço, constipação e cansaço extremo estão entre os sintomas relatados com frequência.

“A recuperação não é automática. O corpo precisa de repouso, hidratação, alimentação adequada e acompanhamento médico. Cada pessoa terá um processo diferente”, diz Clemente.

Sinais que não devem ser ignorados

O médico orienta que alguns sintomas exigem atenção imediata e não devem ser atribuídos apenas ao “normal do pós-parto”. Entre eles estão febre, sangramento excessivo, dor intensa, pressão alta, falta de ar, desmaios e secreção com cheiro forte, que podem indicar infecção, hemorragia ou outras complicações.

Saúde mental também precisa de cuidado

Além das mudanças físicas, o puerpério é um período de vulnerabilidade emocional. Segundo a Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz), cerca de 25% das pessoas gestantes no Brasil apresentam sintomas de depressão pós-parto. Nos primeiros dias, é comum ocorrer o “baby blues”, com choro frequente, irritabilidade e insegurança, mas a persistência ou piora dos sintomas deve motivar busca por ajuda.

“Muitas pessoas sentem culpa por não conseguirem viver o pós-parto da forma que ele costuma ser retratado nas redes sociais. Falar sobre exaustão, medo, dor e sofrimento emocional ainda é um tabu. Precisamos acolher essas vivências e reforçar que pedir ajuda faz parte do cuidado”, afirma Clemente.

O especialista destaca que rede de apoio e acompanhamento multiprofissional podem fazer diferença na segurança e na qualidade da recuperação. Para ele, o nascimento do bebê também marca o início de uma fase que demanda escuta, orientação e suporte para atravessar o período com menos riscos.